Estrutura subterrânea armazenará amostras retiradas de montanhas e geleiras ameaçadas pelo aquecimento global, garantindo material para pesquisas futuras 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cofre de gelo subterrâneo preserva memória das geleiras — Foto: Divulgação | Ice Memory RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 17:13 Santuário Ice Memory: Cofre na Antártica protege gelo histórico Um cofre subterrâneo na Antártica, chamado Ice Memory Sanctuary, armazena amostras de gelo de geleiras ameaçadas pelo aquecimento global, preservando a memória climática da Terra. Inaugurado em janeiro, o santuário mantém núcleos de gelo a -52°C, sem refrigeração artificial. Este projeto internacional, apoiado pela Unesco, busca garantir que futuras gerações acessem dados climáticos históricos, mesmo com o desaparecimento das geleiras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um cofre subterrâneo construído na Antártica começou a receber amostras de gelo extraídas de geleiras ao redor do mundo com o objetivo de preservar registros da história climática do planeta. A instalação, chamada de Ice Memory Sanctuary (Santuário da Memória do Gelo), foi inaugurada em janeiro e armazenará núcleos de gelo retirados de regiões ameaçadas pelo derretimento acelerado causado pelas mudanças climáticas. Localizado próximo à estação de pesquisa Concordia Station, no planalto antártico, o santuário funciona como um arquivo natural. As amostras ficam guardadas em uma caverna escavada sob a neve, onde a temperatura permanece em torno de -52°C, sem necessidade de refrigeração artificial. Construção do cofre de gelo na Antártica — Foto: Divulgação | Ice Memory Os primeiros materiais armazenados vieram das geleiras de Mont Blanc, na França, e Grand Combin, na Suíça. Os blocos de gelo percorreram uma viagem de cerca de 50 dias em contêineres refrigerados até chegarem ao continente antártico. Os chamados núcleos de gelo são considerados cápsulas do tempo naturais. Formados pelo acúmulo de neve ao longo de milhares de anos, eles preservam bolhas de ar, poeira, partículas de poluição, aerossóis e outros elementos que permitem reconstruir a composição da atmosfera e as condições climáticas de diferentes períodos da história da Terra. Cientistas analisam gelo da Antártica em busca de pistas sobre mudanças climáticas 1 de 8 Cientistas levam gelo da Antártica para laboratório belga em busca de pistas sobre mudanças climáticas — Foto: Nicolas Tucat/AFP 2 de 8 Missão financiada pela UE trouxe amostras de 1,2 milhão de anos — Foto: Nicolas Tucat/AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Esse gelo pode fornecer informações cruciais aos climatologistas que estudam os efeitos do aquecimento global — Foto: Nicolas Tucat/AFP 4 de 8 Cientistas vestindo parkas cortam núcleos de gelo da Antártica com dezenas de milhares de anos em busca de pistas sobre as mudanças climáticas — Foto: Nicolas Tucat/AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Presas dentro dos pingentes cilíndricos estão pequenas bolhas de ar que podem fornecer uma imagem de como era a atmosfera da Terra naquela época — Foto: Nicolas Tucat/AFP 6 de 8 Gelo que remonta a milhões de anos pode ser encontrado nas profundezas da Antártica, perto do Polo Sul, enterrado sob quilômetros de gelo e neve mais frescos — Foto: Nicolas Tucat/AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Para cortar custos, a equipe da VUB e da vizinha Université Libre de Bruxelles (ULB) usaram dados de satélite e outras pistas para encontrar áreas onde o gelo antigo poderia ser mais acessível — Foto: Nicolas Tucat/AFP 8 de 8 Dentro de um robusto prédio de cimento da ULB na capital belga, eles estão sendo cortados em pedaços menores para depois serem enviados a laboratórios especializados na França e na China para datação — Foto: Nicolas Tucat/AFP X de 8 Publicidade Missão financiada pela UE trouxe amostras de 1,2 milhão de anos Segundo os cientistas envolvidos no projeto, a iniciativa busca garantir que futuras gerações tenham acesso a essas informações mesmo que as geleiras desapareçam. A expectativa é que tecnologias ainda não desenvolvidas possam extrair dados mais detalhados dessas amostras nas próximas décadas. O projeto Ice Memory foi lançado em 2015 por um consórcio internacional de instituições científicas europeias e conta com apoio da Unesco. Até agora, pesquisadores já identificaram e coletaram amostras em dez geleiras ao redor do mundo, que deverão ser transferidas para o arquivo antártico nos próximos anos. Imagem mostra interior de cofre de gelo na Antática — Foto: Divulgação | Ice Memory A criação do cofre ocorre em um momento de preocupação crescente com a perda de gelo no planeta. Dados citados pela fundação responsável pelo projeto indicam que, desde 2000, as geleiras do mundo perderam cerca de 5% de sua massa total, com reduções regionais que variam entre 2% e 39%. Para os pesquisadores, preservar essas amostras significa proteger um dos registros mais completos da história climática da Terra, permitindo que cientistas do futuro estudem fenômenos atmosféricos e ambientais que hoje estão desaparecendo junto com as geleiras.