A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, fala com a imprensa — Foto: Kyodo/Reuters A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, visitará o estado de Assam, no norte da Índia, no início de julho, acompanhada por líderes de mais de 50 empresas e organizações japonesas, segundo apurou o “Nikkei Asia”. Entre as empresas estarão a montadora Suzuki, a trading Itochu e a Toyota Tsusho, braço comercial da Toyota. Algumas planejam firmar acordos de colaboração. A Associação Japão-Índia, que promove o intercâmbio entre os dois países, se reúne nesta quinta-feira em Tóquio para empossar o ex-primeiro-ministro japonês Fumio Kishida como seu novo presidente. O presidente da Suzuki, Toshihiro Suzuki, estará entre os executivos presentes. Kishida, enquanto primeiro-ministro, lançou um plano concreto em 2023 para um "Indo-Pacífico livre e aberto", que incluía o desenvolvimento de um corredor industrial ligando a Baía de Bengala ao nordeste da Índia. Os países estão trabalhando para colocar o conceito em prática agora. Assam é um estado diversificado do nordeste indiano, onde o desenvolvimento da infraestrutura está atrasado em relação a outras partes do país. Na semana passada, o governador de Assam revelou em uma publicação na plataforma de mídia social X que Takaichi poderá visitar Guwahati, um grande centro urbano do estado, em 1º de julho. Ambos os governos estão trabalhando para organizar reuniões e discursos em fóruns econômicos. Os dois países se revezam na organização de uma cúpula anual. A Índia sediará o evento este ano, mas Takaichi e sua comitiva visitarão Assam em vez de Nova Déli ou Mumbai. Empresas estrangeiras veem o estado como um mercado inexplorado. Em 2024, 59 escritórios corporativos japoneses estavam localizados em Assam, principalmente nos setores financeiro e de seguros, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Japão. Assam atraiu investimentos de conglomerados indianos nos últimos anos para os setores de semicondutores e energia, designados como indústrias prioritárias pelo governo da Índia. O Grupo Tata está investindo 270 bilhões de rupias (US$ 2,86 bilhões) para construir uma unidade no estado para processos de semicondutores, como montagem e testes. O conglomerado Reliance Industries, que atua nos setores de petróleo e telecomunicações, anunciou investimentos maciços em data centers e outras infraestruturas digitais. O Grupo Adani afirmou que fará grandes investimentos em energia, principalmente em geração. Esse desenvolvimento de infraestrutura pode facilitar a entrada de empresas japonesas no mercado. Há também demanda por tecnologia japonesa para transportar equipamentos de precisão de uma fábrica de semicondutores na região sem danificá-los. Modi está focando no nordeste da Índia, região que faz fronteira com Mianmar e Bangladesh, o que poderia transformar a área em um polo industrial e logístico conectando o Sudeste Asiático e o Oceano Índico. A Índia deseja atrair empresas japonesas com tecnologias avançadas, especialmente aquelas do setor manufatureiro. O crescimento tem sido impulsionado pela demanda interna, principalmente em serviços, mas a Índia considera essencial o desenvolvimento da manufatura de produtos de alta qualidade para manter o crescimento acelerado. O Japão apoia projetos de infraestrutura no nordeste da Índia por meio de assistência oficial ao desenvolvimento, priorizando-a em relação aos investimentos privados. A ponte que liga Dhubri, em Assam, a Phulbari, no estado de Meghalaya, é um exemplo. O Banco Japonês para Cooperação Internacional planeja fornecer até 60 bilhões de ienes (US$ 374 milhões) para cofinanciar um projeto de produção de biocombustível a partir de bambu e outros materiais. Em agosto de 2025, o então primeiro-ministro Shigeru Ishiba concordou em investir 10 trilhões de ienes na Índia na década seguinte. Desde então, as empresas japonesas têm investido mais no país, mas o número de companhias que entram na Índia permanece estável. Grandes empresas lideram o movimento, mas as pequenas e médias empresas (PMEs) são cautelosas, representando apenas 15% das japonesas no país, segundo a Organização de Comércio Exterior do Japão (Jetro).
Premiê do Japão levará comitiva de 50 empresários em visita a região da Índia distante da capital
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