Firma que tem o senador como sócio teria transacionado R$ 20 milhões em um ano Ciro Nogueira (PP-PI), senador — Foto: Lula Marques/Agência Brasil Uma empresa que tem o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como sócio movimentou R$ 20 milhões em cerca de um ano, valor que, segundo a Polícia Federal (PF), seria incompatível com o faturamento anual declarado, que foi de R$ 832 mil. A conclusão consta em um relatório feito com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e foi enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O dinheiro foi movimentado pela CNLF Empreendimentos Imobiliários entre agosto de 2023 e agosto de 2024. “Nesse período, a empresa movimentou um total de R$ 20.079.823,00, considerando créditos e débitos, valor incompatível com o faturamento anual declarado pela empresa”, diz trecho do relatório da PF. Durante o período, a CNLF teria recebido um repasse de R$ 902 mil da BRGD, ligada a Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os pagamentos teriam sido feitos em três parcelas, o que, para a PF, pode ter relação com a “mesada” de R$ 300 mil por mês que Vorcaro pagava para Nogueira. “Os créditos da BRGD na CNLF, capturados pelo RIF (Relatório de Inteligência Financeira), são contemporâneos com os diálogos entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro sobre repasses mensais de R$ 300 mil”, diz trecho da representação da PF. Como contrapartida, disse a PF, Nogueira teria atuado no Senado para exercer influência política e defender os interesses de Vorcaro. “Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal, o qual apresenta como consequência - e não como causa - da associação funcional mantida entre os investigados.” Uma das maiores provas de que Nogueira teria atuado para favorecer Vorcaro, apontou a PF, é a chamada “emenda Master”, que buscava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. “Cumpre relembrar que a fraude financeira arquitetada pelos gestores do Master tinha por alicerce um modelo de funding que, na prática, dependia da credibilidade do selo do FGC para sustentar uma expansão agressiva”, disse. Procurada, a defesa de Ciro Nogueira disse que não irá comentar. Já o advogado de Daniel Vorcaro não respondeu até a publicação desta reportagem.
Empresa de Ciro Nogueira movimenta valor incompatível com receita, diz PF
Firma que tem o senador como sócio teria transacionado R$ 20 milhões em um ano














