Criado em 2024, documento permite residência temporária a cidadãos de paises que 'impõem atitudes ideológicas neoliberais destrutivas'; Brasil não está na lista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Membros da Igreja Ortodoxa Russa durante celebração a príncipe que derrotou os mongóis em batalha no século XIV, em Moscou — Foto: Igor IVANKO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 17:10 Rússia atrai estrangeiros com vistos de "valores tradicionais" em 2025 Em 2025, a Rússia emitiu mais de mil vistos de "valores tradicionais" para estrangeiros, parte de uma estratégia conservadora liderada por Putin. Criados em 2024, os vistos facilitam a residência temporária para cidadãos de países que, segundo o Kremlin, promovem ideologias neoliberais destrutivas, excluindo o Brasil da lista. A iniciativa atraiu principalmente cidadãos da Alemanha, França e EUA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério de Relações Exteriores da Rússia anunciou ter concedido no ano passado mais de mil vistos de “valores tradicionais”, criados em 2024 para cidadãos de países acusados de promoverem “atitudes ideológicas neoliberais destrutivas”, e que integram a estratégia do presidente Vladimir Putin para liderar uma agenda global conservadora. Segundo os números oficiais, foram emitidos 1.112 vistos em 2025, especialmente para cidadãos da Alemanha, França e Estados Unidos. O documento serve como uma via expressa para obter uma permissão temporária de residência, sem a necessidade de cumprir os trâmites formais (como evidência de conhecimento do idioma russo), e abre espaço para a obtenção da cidadania russa. A principal exigência é a apresentação, por escrito, do comprometimento do candidato com os “valores tradicionais”, rejeitando o que o Kremlin chama de “atitudes ideológicas neoliberais destrutivas”. Por isso, o documento tem o apelido de “visto anti-woke”. Só podem aplicar os cidadãos de um grupo de países que, coincidentemente, expressaram visões críticas à invasão russa da Ucrânia. O Brasil não está na lista. Em 2024, sob pressão internacional relacionada à guerra na Ucrânia e em uma tentativa de Putin de internacionalizar sua agenda conservadora, hoje um dos pilares de seu ideário interno, a Rússia anunciou que estava de portas abertas a estrangeiros, majoritariamente ocidentais, que buscavam um ambiente “propício” para criarem suas famílias. Segundo um decreto do Kremlin, os “valores tradicionais” incluem desde a defesa da vida e do patriotismo, passando pelo dever junto à Pátria e a “prioridade do espiritual sobre o material”, até o compromisso com a “união dos povos da Rússia”. — Isso significa pessoas que não apoiam os movimentos LGBT, pessoas que acreditam que seus filhos devem ser criados de maneira tradicional — afirmou Maria Butina, ex-espiã russa e hoje presidente da ONG Welcome to Russia (“Bem-vindo à Rússia”), que apoia a imigração com base em “valores tradicionais, em entrevista ao Moscow Times. — Este é o decreto que ajuda as famílias a preservar a ideia de mãe e pai, algo que não lhes é dado no Ocidente. Os conservadores são bem-vindos na Rússia, esse é o ponto. Butina afirma que entre 2022, ano em que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, e 2024, 4.676 cidadãos ocidentais entraram com pedido de asilo na Rússia. Não há números sobre quantos requisitaram a cidadania. Embora os números sejam tímidos em comparação com os dos russos que deixaram o país após o início da guerra — estima-se que quase um milhão, sendo que metade retornou — o “mini-êxodo” dá a Putin argumentos em sua cruzada conservadora global. — A preservação dos pilares tradicionais da família, a proteção da infância, o respeito pelos idosos e pela parentalidade, todos esses valores importantíssimos unem nossa sociedade, são transmitidos de geração em geração e nos ajudam a seguir em frente com confiança — disse Putin no começo do mês. — Gostaria de destacar que, infelizmente, alguns países estão praticamente tentando abolir os valores tradicionais da família. E nós apoiaremos aqueles que, mesmo diante de tal pressão, vêm viver, trabalhar e criar filhos na Rússia. Sejam bem-vindos.