Os Prémios Acesso Cultura distinguiram este ano cinco projectos — três prémios e duas menções honrosas — pelas "políticas exemplares" e "boas práticas" na promoção da melhoria das condições da acessibilidade cultural, anunciou hoje a organização, em Lisboa.Os galardões foram entregues numa cerimónia no Museu do Dinheiro, no âmbito da 12.ª edição da Semana Acesso Cultura, iniciativa promovida pela associação homónima que decorre até sábado em Lisboa e na Covilhã, dedicada à inclusão, acessibilidade e participação cultural.Criado em 2014 e designado desde 2024 como Prémio Acesso Cultura — Mickaella Dantas, em homenagem à bailarina e intérprete que morreu nesse ano, o galardão distingue projectos e entidades públicas e privadas que desenvolvem práticas de promoção do acesso físico, social e intelectual à participação cultural em Portugal.
Segundo a associação, foram recebidas este ano 14 candidaturas, avaliadas por um júri constituído por Catarina Medina, directora de comunicação, Isabel Bastos, museóloga, e Joana Reais, cantora, investigadora e membro da direcção da Acesso Cultura.Entre os distinguidos com o Prémio Acesso Cultura — Mickaella Dantas 2026 encontra-se o projecto CORDÃO — Coro de Doentes e Amigos Oncológicos, descrito pelo júri como uma iniciativa que transforma a experiência da doença oncológica "num espaço comum" através da prática coral.A distinção visa reconhecer um projecto que "reúne pessoas com experiência de doença e familiares ou amigos próximos, utilizando o canto como ferramenta de criação artística, pertença comunitária e apoio mútuo", descreve, em comunicado.Outro dos prémios foi atribuído ao Teatro do Bairro Alto (TBA), em Lisboa, que o júri destacou pela integração da acessibilidade no centro da sua actividade, desde a criação do primeiro camarim acessível do país até à utilização de linguagem inclusiva, programas de mediação e práticas de acolhimento orientadas para públicos diversos.Na fundamentação da decisão, o júri considera que o TBA "demonstrou que a acessibilidade pode atravessar a programação, a arquitectura, a comunicação e a relação com artistas e públicos, constituindo um modelo de instituição cultural inclusiva".O terceiro prémio foi atribuído aos Jardins do Bombarda — Centro Cultural e Comunitário, projecto desenvolvido pela cooperativa Sou Largo num antigo hospital psiquiátrico de Lisboa.Segundo o júri, a distinção visa reconhecer uma iniciativa que promove formas de participação comunitária e construção colectiva, através de estruturas geridas pelos próprios utilizadores e de processos de decisão partilhados, "contribuindo para reforçar o sentimento de pertença e o acesso à cultura".Foram ainda atribuídas duas menções honrosas: a Janela Aberta Teatro (JAT), companhia sediada em Faro que, através dos grupos de Teatro Comunitário de Quarteira e de VizinhEs de Faro, desenvolve desde 2018 projectos de inclusão social e participação artística envolvendo pessoas de diferentes origens, culturas e condições sociais.O júri destacou o trabalho desenvolvido na "promoção da cidadania, da convivência intercultural e da expressão artística como instrumento de combate à exclusão e discriminação".A segunda menção honrosa foi atribuída ao projecto Som Táctil, desenvolvido por MãoSimMão, P06 Studio e SSArquitectura para o Museu Nacional da Música.O dispositivo converte o som em vibração física perceptível através das mãos e dos pés, permitindo que pessoas surdas ou com deficiência auditiva possam experienciar conteúdos sonoros de forma multissensorial.Segundo a organização, o projecto foi distinguido pela sua originalidade, inovação tecnológica e pelo contributo para repensar as formas de fruição cultural em contextos museológicos.O troféu entregue aos vencedores é uma criação do artista visual Xana, produzida através de impressão 3D.A 12.ª edição da Semana Acesso Cultura decorre até domingo, este ano em Lisboa e na Covilhã, com debates, encontros e iniciativas dedicadas à inclusão, acessibilidade e participação cultural, culminando com a entrega de prémios.Fundada em 2013, a Acesso Cultura é uma associação cultural sem fins lucrativos e de utilidade pública dedicada à promoção da participação cultural através de formação, estudos, consultoria em acessibilidade, publicações e programas de apoio ao sector.A associação conta actualmente com 156 membros activos entre profissionais e organizações culturais, promovendo iniciativas como a Semana Acesso Cultura, os Prémios Acesso Cultura, a Rede de Teatros com Programação Acessível e o portal Cultura Acessível.









