A pesquisa CNT-MDA divulgada hoje (terça, 16/6) aponta um segundo turno em que Lula derrota Flávio Bolsonaro por 49,3% a 36,8%, uma diferença de 12,5 pontos porcentuais (pp). A apuração foi de 10 a 14 de junho.PUBLICIDADEÉ o dobro da vantagem de 6pp de Lula no segundo turno segundo a pesquisa Quaest (5 a 8 de junho) recentemente divulgada, que atribuiu 44% para o atual presidente e 38% para Flávio. A pesquisa Nexus-BTG (12 a 14 de junho) também apurou 6pp de diferença para Lula num eventual segundo turno contra Flávio: 49% a 43%.É um cenário turvo, em que tanto se pode ler a imprecisão natural desse tipo de pesquisa quanto uma progressão da piora de Flávio Bolsonaro. Caso essa segunda hipótese esteja correta, e seja confirmada pelas próximas pesquisas, será que se está saindo de um cenário de eleição apertadíssima, com o país rachado ao meio, para um favoritismo mais contundente de Lula?A pergunta é reforçada pelo fato de que até agora nenhum dos outros candidatos de direita ganhou espaço de forma significativa com a retração das intenções de voto de Flávio.Ricardo Ribeiro, analista político da consultoria 4intelligence mantém seu cenário de ligeiro favoritismo de Lula, que ele já tinha antes do escândalo do envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro.PublicidadeO analista observa que isso pode mudar caso as próximas pesquisas confirmem que a diferença entre Lula e Flávio no segundo turno já caminha nos dois dígitos. Por ora, ele acha cedo para afirmar que se trata de uma nova tendência.Ribeiro nota que a perda de intenções de voto de Flávio pós-escândalo - e pós o novo tarifaço de Trump (a quem o candidato está associado) contra o Brasil -, que até a pesquisa de hoje da CNT-MDA parecia estar em torno de 6pp, não derreteu a candidatura. As especulações sobre substituição de Flávio murcharam.Já a melhora da aprovação de Lula - que superou a desaprovação na CNT-MDA pela primeira vez desde novembro de 2024 - também consta do cenário de ligeiro favoritismo do atual presidente, prossegue Ribeiro. Essa melhora da aprovação do incumbente, especialmente no segundo trimestre do ano eleitoral, quando muitas "bondades" são entregues ao eleitor, é um padrão típico das eleições presidenciais brasileiras há bastante tempo.Rafael Cortez, analista político da consultoria Tendências, vê certa tendência histórica das eleições brasileiras no sentido de se tornarem mais apertadas. Assim, FHC venceu no primeiro turno, e, no período Lula-Dilma, as eleições foram mais competitivas, mas os segundo turnos não foram tão apertados quanto o de 2022, até agora o ápice da superpolarização entre Lula e Bolsonaro.Cortez via até agora uma alta probabilidade de 2026 ser quase uma repetição de 2022, com leve favoritismo de Lula pelo fato de ser incumbente e fazer muitas "entregas" no ano eleitoral. Os problemas da candidatura Flávio, no entanto, podem talvez levar a atual eleição mais para perto do padrão da era Lula-Dilma, com bastante competitividade, mais um pouco menos apertada em favor do petismo.PublicidadeO analista da Tendências nota que Flávio, até o escândalo de seu envolvimento com Vorcaro, estava numa posição muito confortável. Ele era o "Bolsonaro vacinado", se afastando assim da imagem mais radical do seu pai, que carrega muita rejeição, e se tornando mais palatável ao eleitor independente.PUBLICIDADECom o escândalo, porém, Flávio precisou acenar à base bolsonarista para manter a candidatura, em atitudes como a viagem aos Estados Unidos para encontrar Trump, ou de envergar um colete a prova de balas alegando receio de um atentado político como o que vitimou Jair Bolsonaro. No caso do encontro com Trump, a mensagem do presidente americano de elogio a Flávio foi quase coincidente com a imposição do tarifaço, confirmando o histórico de Trump de "queimar" seus aliados externos.De qualquer forma, assinala Cortez, a reaproximação com o bolsonarismo "mais raiz", se necessária para Flávio se manter candidato, por outro lado o afasta do eleitor independente e poderia resultar num favoritismo um pouco mais nítido para Lula.Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)fEsta coluna foi publicada pelo Broadcast em 16/6/2026, terça-feira.Publicidade
Opinião | A eleição está ficando menos difícil para Lula?
Pesquisa CNT-MDA aponta 12 pontos de diferença para o presidente em eventual segundo turno com Flávio Bolsonaro, enquanto outras pesquisas recentes indicam seis pontos de diferença. Analistas apontam leve favoritismo de Lula.











