Companhia aérea australiana planeja começar a vender as passagens em fevereiro e lançar os voos em outubro de 2027 Voo eliminará a tradicional escala no Oriente Médio da chamada “Rota do Canguru” — Foto: Valor A Qantas Airways anunciou, nesta quarta-feira (17), que Londres será o primeiro destino do voo comercial direto mais longo do mundo. A viagem, com duração aproximada de 20 horas a partir de Sydney, eliminará a tradicional escala no Oriente Médio da chamada “Rota do Canguru”. A companhia aérea australiana planeja começar a vender as passagens em fevereiro e lançar os voos em outubro de 2027, informou a diretora-presidente, Vanessa Hudson, durante um evento em Toulouse, na França. Os voos fazem parte da iniciativa Project Sunrise da empresa, que posteriormente também atenderá Nova York utilizando jatos modificados Airbus A350-1000ULR, projetados para voar por até 22 horas com 238 passageiros a bordo. O anúncio integra uma reformulação de frota que teve início em 2017, quando a Qantas desafiou a Airbus e a Boeing a desenvolverem aviões capazes de realizar rotas de ultralongo curso sem escalas a partir da Austrália. “A distância da Austrália em relação ao resto do mundo nunca deveria ser um obstáculo”, disse Hudson, antes de revelar o primeiro jato da Airbus, exibido ainda sem os motores Rolls-Royce XWB-97 devido ao estágio inicial de seus testes. O objetivo é reduzir o que já foi uma jornada de cinco dias na “Rota do Canguru” para Londres para cerca de 19 a 21 horas, dependendo da rota e dos ventos. A Qantas utilizará rotas polares em aproximadamente um quarto do tempo, especialmente durante o inverno no hemisfério norte. Atualmente, a viagem leva de 24 a 25 horas via Cingapura. O projeto representa uma grande aposta para a Qantas, envolvendo bilhões de dólares em aeronaves, atualizações de cabine e pesquisas sobre a saúde dos passageiros em voos de ultralonga duração. Para obter sucesso, a empresa precisará convencer os viajantes a pagar mais para evitar conexões, ao mesmo tempo em que minimiza o desconforto decorrente de voos tão longos. “O que eles estão vendendo é tempo, e eles absolutamente precisam cobrar um valor adicional em todas as cabines, particularmente na executiva e na econômica premium”, afirmou o analista de aviação John Strickland. A Qantas batizou a iniciativa de Project Sunrise em homenagem aos voos de resistência com “duplo amanhecer” realizados pela companhia durante a Segunda Guerra Mundial, que permaneciam no ar por tempo suficiente para testemunhar o sol nascer duas vezes. A companhia aérea estima que o projeto possa acrescentar mais de 400 milhões de dólares australianos (US$ 283 milhões) por ano aos seus lucros. Hudson declarou em fevereiro que essa projeção assume preços de passagens cerca de 20% mais altos nas cabines premium do que as alternativas com uma escala. No entanto, analistas apontam que os altos preços da energia resultantes do conflito no Golfo elevaram o ponto de equilíbrio financeiro do projeto. Analistas da Jefferies afirmaram, em abril, após o cessar-fogo inicial entre Estados Unidos e Irã, mas antes do acordo de paz provisório desta semana, que os passageiros provavelmente devem continuar preferindo rotas diretas para a Europa via Perth ou migrando de hubs do Oriente Médio para hubs asiáticos até 2027. “Consequentemente, esperamos um mercado positivo para os voos do Project Sunrise rumo a Londres”, disseram. Companhias aéreas do Golfo, como a Emirates, que redefiniram o mapa da aviação global ao redor de seus hubs, devem defender sua participação de mercado. A Austrália suspendeu nesta quarta-feira um aviso de não viaje para hubs do Golfo que vigorava há meses e que invalidava a maioria das apólices de seguro de viagem, inclusive para passageiros em trânsito. A Airbus venceu a encomenda do Project Sunrise em 2019, após uma disputa acirrada com o modelo 777X da Boeing. No início deste mês, a fabricante europeia realizou o primeiro voo de teste de um dos 12 aviões modificados A350-1000ULR encomendados pela Qantas. As aeronaves de 238 assentos possuem um tanque de combustível adicional na parte central traseira, o que ajuda a aumentar o alcance em 1.000 milhas náuticas (1.852 quilômetros), totalizando 10.000 milhas náuticas. Os voos são tão longos que grande parte do combustível é consumida apenas para carregar o peso do próprio combustível restante. A primeira aeronave deve ser entregue em abril de 2027, cerca de cinco anos mais tarde do que o previsto originalmente devido à pandemia e a atrasos na cadeia de suprimentos. A Reuters informou este mês que a Qantas está em negociações para comprar mais 20 jatos de fuselagem larga da Airbus ou da Boeing, estando sob consideração o modelo menor A350-900 ou mais unidades do Boeing 787.
Qantas anuncia Londres como 1º destino de voo comercial direto mais longo do mundo, com 20 horas
Companhia aérea australiana planeja começar a vender as passagens em fevereiro e lançar os voos em outubro de 2027











