PUBLICIDADE Exames detectaram no organismo da criança a presença de lidocaína, um anestésico local, midazolam, medicamento de efeito sedativo, e terbufós-sulfóxido, um agrotóxico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arthur ao chegar em casa no último dia 1º de junho — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 09:19 Morte de menino de 11 anos é investigada por envenenamento em bolo A morte de Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, foi causada por broncopneumonia, conforme laudo da necropsia. Exames toxicológicos revelaram a presença de lidocaína, midazolam e o agrotóxico terbufós-sulfóxido em seu organismo. Arthur adoeceu após consumir um pedaço de bolo suspeito de envenenamento. Investigações continuam para esclarecer como essas substâncias chegaram ao corpo do menino, enquanto depoimentos familiares são colhidos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A necropsia realizada no corpo de Arthur de Mello da Silva, de 11 anos, apontou que a causa da morte foi uma broncopneumonia decorrente da evolução do estado mórbido apresentado pela criança após passar mal ao consumir um pedaço de bolo que a família suspeita ter sido envenenado. O menino morreu na última quinta-feira, após permanecer internado por 11 dias no Hospital Estadual Ricardo Cruz (HerCruz), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ao todo, nove pessoas já prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), incluindo familiares, profissionais de saúde, assistentes sociais e um policial militar. Embora a necropsia tenha apontado broncopneumonia como causa da morte, a investigação ainda busca esclarecer a relação entre o quadro clínico que levou Arthur à internação e as substâncias identificadas no exame toxicológico. Exames realizados pelo Laboratório de Toxicologia Forense do Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto (IMLAP) detectaram no organismo da criança a presença de lidocaína, midazolam, e terbufós-sulfóxido, um agrotóxico, usada em plantações para matar pragas. A Lidocaina é um anestesico usado para remover a sensibilidade local ou sedar. Já o Midazolam é um sedativo. Na última sexta-feira, a delegacia que assumiu as investigações ouviu quatro pessoas próximas ao menino: o pai, a madrasta, a mãe e o padrasto. Os depoimentos fazem parte do esforço para reconstruir os últimos dias de vida de Arthur e esclarecer como as substâncias chegaram ao organismo dele. Segundo a Secretaria estadual de Saúde, Arthur estava internado desde o dia 1º. Em nota, a pasta lamentou a morte e informou que se solidariza com os familiares. De acordo com o relato apresentado pelo advogado Luiz Almeida, que representa o pai da criança, Ademir Mello, Arthur morava com o pai e a madrasta desde março deste ano. Antes disso, o menino havia passado um período na casa do pai entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano, durante as férias escolares, retornando depois para a residência da mãe. Ainda segundo a versão apresentada pela defesa do pai, a própria mãe teria procurado Ademir para pedir que o filho voltasse a morar com ele porque o convívio na residência dela não estaria funcionando bem. Desde então, Arthur permaneceu na casa do pai, mantendo visitas à mãe nos fins de semana. No último fim de semana com a mãe, o plano inicial era que retornasse para a casa do pai no domingo, mas, como haveria uma reunião escolar na segunda-feira, a mãe o levou diretamente para a escola. Após as aulas, Arthur seguiu de ônibus para a casa do pai. Imagens de câmeras de segurança já obtidas pela investigação mostram o garoto chegando ao imóvel por volta das 18h20. Na residência estavam o pai, a madrasta, o meio-irmão de 4 anos e, pouco depois, chegaria a enteada da madrasta, de 9 anos. Segundo o advogado, ao chegar em casa Arthur teria contado ao pai que o padrasto havia dito que deixaria sua mãe caso ele voltasse a morar com ela. Ademir teria orientado o filho a não se preocupar com a situação. Pouco depois, enquanto o pai saiu para buscar a enteada no reforço escolar, a madrasta teria mexido na mochila do menino e encontrado um pedaço de bolo de chocolate. De acordo com a defesa, o alimento chamou atenção porque estava guardado sem recipiente, entre roupas dobradas. A madrasta teria telefonado para o marido avisando sobre o bolo. Ainda segundo o relato do advogado, Arthur acabou comendo o pedaço de bolo e teria dito ao pai que a mãe tinha guardado para ele, já que estava passando mal no sábado e domingo, e por isso não teria conseguido comer na festa. Segundo o advogado, o pai de Arthur nem sequer chegou a ver o bolo em questão. Mais tarde, a família jantou macarrão com carne moída. O mesmo alimento foi consumido pelos demais moradores da casa. Horas depois, por volta das 23h, o menino começou a apresentar os primeiros sintomas. Conforme a versão do pai, ele passou a vomitar, teve episódios de diarreia e começou a demonstrar confusão mental, falando frases sem sentido. Arthur foi levado para atendimento médico e acabou transferido para uma unidade de maior complexidade, onde permaneceu internado até sua morte. A suspeita sobre o bolo surgiu após o pai entrar em contato com a mãe do menino para tentar descobrir a origem do alimento. Segundo o advogado, Lidiane teria informado que, na reunião familiar do fim de semana, não havia sido servido bolo de chocolate, mas outros tipos de sobremesa.