Uma mulher estende o braço e tira uma selfie em frente a uma pintura de René Magritte. A cena chama a atenção pelo contraste entre o sorriso dela e o tom soturno de "La Fin du Monde", quadro dos anos 1960, em que vemos uma paisagem no crepúsculo e a silhueta de uma figura vestindo chapéu-coco, típica das obras do surrealista belga.
Na mesma sala, um grupo de senhoras conversa animadamente ao lado de uma tela de Tarsila do Amaral, e, na entrada do casarão histórico, uma jovem faz uma pose exagerada ao ser fotografada junto ao letreiro da Pinakotheke, a galeria ali sediada.
Era mais um dia na exposição "Surrealismos: Arte para Além da Razão", aberta no final de maio e que marca a inauguração do novo local da galeria carioca em São Paulo. A Pinakotekhe, de Max Perlingeiro, um dos mais tradicionais galeristas do Brasil, ficou por 25 anos no bairro do Morumbi até se mudar há pouco para Higienópolis, onde está instalada numa casa de quase cem anos próxima à avenida Paulista.
São cerca de 250 visitantes por dia na mostra, diz Max Morales, diretor da galeria e filho do fundador. No sábado do feriado de Corpus Christi, o público ultrapassou mil pessoas, uma movimentação praticamente inédita para espaços do tipo em São Paulo, que costumam ficar o tempo todo vazios —exceto pelo dia da abertura de mostras, quando as pessoas aparecem para fazer contatos regados a vinho grátis. Há até um aviso na porta da Pinakotheke informando que a lotação é de cem espectadores.











