PUBLICIDADE Deputada do PSB é mais próxima do ex-ministro da Fazenda e auxilia no plano de governo do candidato do PT; Psolista, por sua vez, que integra coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula, concentra-se na mobilização dos movimentos sociais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Da esquerda para a direita: Boulos, Haddad e Tabata — Foto: Brenno Carvalho, Edilson Dantas e Maria Isabel Oliveira/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 20:10 Haddad articula campanha ao governo de SP com Tabata e Boulos Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de SP, articula sua campanha com Tabata Amaral (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL) de formas distintas. Tabata, mais próxima, ajuda no plano de governo, focada em segurança pública. Boulos, ministro no governo Lula, contribui com mobilização social, mas mantém distância devido a compromissos nacionais. Ambos já foram rivais nas urnas paulistanas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de São Paulo, tem dado pesos distintos nas articulações de sua pré-campanha a aliados que, há dois anos, disputaram a prefeitura da capital paulista e obtiveram, em conjunto, quase 40% dos votos válidos no primeiro turno. Enquanto a deputada federal Tabata Amaral (PSB) foi procurada para tratar das estratégias de campanha e da elaboração do plano de governo do petista, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), não tem papel direto estabelecido. Aliados relatam ao GLOBO que Tabata deve contribuir no plano de governo de Haddad, principalmente com propostas para a área da segurança pública. Os dois se reuniram no começo de abril pela primeira vez. Desde então, ela sugeriu especialistas para discutir as estratégias para o segmento. Haddad afirma que o tema deve ser o primeiro a ser apresentado aos eleitores, possivelmente de modo antecipado. Busca criar uma marca numa área que tem se mostrado a principal preocupação dos brasileiros nas pesquisas. A assessoria de Boulos, por sua vez, pondera que ele é ministro de estado e integra a coordenação de pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "E passa todos os dias da semana em Brasília, quando não em viagens pelo país, no (programa) Governo do Brasil na Rua. Por essas razões, seria inviável atuação mais ativa na pré-campanha de Haddad", aponta em nota enviada ao GLOBO. O psolista, garante seu time, "estará no palanque" do candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, como nos pleitos de 2022 e 2024, e sua contribuição passará pela "relação estreita com movimentos sociais e coletivos populares nas periferias", construída ao longo de anos em São Paulo. Em 2024, Boulos concorreu com o PT na chapa, tendo como vice a ex-prefeita Marta Suplicy. Recebeu R$ 30 milhões do partido de Lula para investir na campanha e chegou ao segundo turno, quando foi derrotado pelo prefeito reeleito, Ricardo Nunes (MDB). Ele já havia sido o melhor colocado da esquerda em 2020, contra Bruno Covas, do PSDB. Foi cogitado para o governo paulista contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição passada, mas acabou apoiando Haddad já no primeiro turno. Se tornou o deputado federal mais votado no estado. Colegas de PSOL admitem, de forma reservada, que Boulos nunca teve relação próxima com Haddad. Esse distanciamento ficou evidente na eleição municipal, em que o petista pouco apareceu em comícios e até na hora do voto, nos dois turnos, em um colégio da Zona Sul. Abordado no segundo turno por jornalistas, o ex-ministro da Fazenda disse ter se envolvido na campanha do psolista o quanto “foi demandado”. E alegou não ter adesivo colado em seu peito "pois ninguém havia entregue". O PSOL, institucionalmente, tem participado das conversas com Haddad e seu núcleo duro de campanha. E promete "viabilizar o que for preciso" nas eleições. Isso envolve, por exemplo, reforço na mobilização de rua, em parceria com organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Frente Povo Sem Medo. Em contrapartida, espera que ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), seja candidata ao Senado. As siglas compõem uma federação e o grupo de Boulos poderia indicar suplentes. Uma liderança estadual do PSOL minimiza o impacto eleitoral da falta de interação de Haddad com Boulos, alegando que o petista "tem os meios para chegar em qualquer setor, não precisa dele para nada". Isso mesmo diante da experiência eleitoral prévia do atual ministro na capital paulista, que ajudou a estabelecer pontes importantes com trabalhadores de aplicativo e autônomos. Haddad foi prefeito da capital entre 2013 e 2016, mas perdeu a reeleição quatro anos depois, com a ascensão do tucano João Doria, então um outsider . Em entrevistas, Haddad tem dito que tanto Tabata quanto Boulos "estão disponíveis" para ajudá-lo na campanha. Ainda em maio, abordado pelo GLOBO, o pré-candidato do PT declarou que a deputada está integrada à formulação do plano de governo, enquanto Boulos teria uma “missão nacional” como ministro do governo Lula, mas pode se engajar futuramente. — O Boulos já se colocou à disposição. A missão dele está mais na esfera nacional, porque ele é ministro, resolveu ficar e não concorrer. Então, ele não é candidato aqui em São Paulo, mas está disponível — afirmou Haddad, após uma série de elogios a Tabata na saída de um evento da Fundação FHC. — Ela vai ajudar muito, é uma pessoa muito qualificada para o plano de governo. Quero contar com as ideias dela. Ela saiu da periferia, foi para Harvard, tem uma vivência muito grande e pode ajudar demais. Tabata chegou a ser ventilada ndo PT como possível vice de Haddad, mas ela descarta a ideia. Sua meta é ampliar a bancada federal do PSB no estado, composta hoje por apenas dois deputados. O partido será representado na chapa majoritária por Simone Tebet, cuja filiação ao partido foi fruto de uma articulação da própria Tabata, e é pré-candidata ao Senado. O ex-governador Márcio França tenta consolidar seu nome na segunda vaga ao cargo e também está cotado para vice. Procurada, Tabata não retornou os pedidos de entrevista. Haddad procurou a deputada no dia 13 de abril, cerca de um mês após o anúncio oficial da pré-candidatura, para alinhar estratégias de campanha. Segundo aliados, além de contribuir para o plano de segurança pública, Tabata também é considerada importante para abrir portas a setores tradicionalmente resistentes ao PT, entre eles o empresariado paulista. Outra ajuda será nas redes sociais. Nas últimas semanas, a deputada passou a publicar mais conteúdos críticos a Tarcísio, abordando o aumento de furtos e roubos de celulares na capital e o pedágio free flow. Nesse meio tempo, contudo, as redes de esquerda criticaram um projeto apresentado por ela no Congresso que equipara o antissemitismo ao crime de racismo, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa, sem prescrição ou fiança. Ela nega que a proposta criminalize posicionamentos contrários à política externa de Israel. Mas trechos que estendem a definição a manifestações contrárias "ao Estado de Israel, encarado como uma coletividade judaica" levantaram preocupações entre especialistas em relações internacionais.
Rivais nas urnas há dois anos, Tabata e Boulos têm pesos distintos na pré-campanha de Haddad ao governo de SP
Deputada do PSB é mais próxima do ex-ministro da Fazenda e auxilia no plano de governo do candidato do PT; Psolista, por sua vez, que integra coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula, concentra-se na mobilização dos movimentos sociais










