Possíveis novas sanções visariam as exportações de energia, sistema bancário e produção militar, diz presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, na reunião do G7 nesta terça-feira (16/06) — Foto: REUTERS/Denis Balibouse O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira (11) que os líderes do Grupo dos Sete (G7) concordaram, durante uma cúpula realizada na França, que a Rússia não está vencendo sua guerra contra a Ucrânia e discutiram sanções adicionais para levar Moscou à mesa de negociações. Falando por videoconferência em uma entrevista durante a cúpula Reuters NEXT Europe, em Londres, Zelensky disse ter percebido uma mudança de postura entre os líderes do G7: o entendimento de que a Rússia perdeu a iniciativa no campo de batalha e está atacando deliberadamente infraestrutura civil. “Tivemos unanimidade de que a Rússia não está vencendo e está perdendo muitas pessoas, de que precisa chegar a um acordo o mais rápido possível e de que não tem a iniciativa em suas mãos”, afirmou em conversa com a editora-chefe da Reuters, Alessandra Galloni. Durante uma sessão realizada pela manhã na estância francesa de Evian-les-Bains, os líderes do G7 discutiram sanções adicionais direcionadas às exportações de petróleo da Rússia, ao seu setor bancário e à sua produção militar, disse Zelensky. A Ucrânia continuará realizando ataques de longo alcance com drones e mísseis contra alvos energéticos e militares russos, afirmou Zelensky, mas acrescentou que é necessária mais pressão política para levar o líder russo, Vladimir Putin, a aceitar um acordo de paz. “Ele não quer parar a guerra. Precisa enfrentar mais pressão”, declarou Zelensky, acrescentando que as perdas russas no campo de batalha — que a Ucrânia estima em cerca de 35 mil mortos ou feridos por mês — não estão influenciando Putin. A Rússia negou esse número. “Acho que o presidente Donald Trump pode fazer isso, talvez apenas ele”, disse, acrescentando que os líderes europeus também desejam desempenhar um papel nas negociações. Reunião com Putin Zelensky, que deverá realizar conversas bilaterais com Trump ainda nesta terça, afirmou esperar que o líder americano possa organizar negociações diretas com Putin em um país neutro, como Suíça, Turquia ou algum lugar no Oriente Médio. “É muito importante tentar organizar uma reunião antes do inverno”, disse Zelensky, observando que o último inverno foi extremamente difícil para a Ucrânia depois que ataques russos causaram graves danos ao sistema elétrico e energético do país. “Não queremos passar pelo mesmo inverno novamente. E a Rússia precisa saber... que também não terá um inverno fácil”, disse Zelensky. Nas últimas semanas, Putin rejeitou a proposta de Zelensky para conversas presenciais, afirmando não ver motivo para isso e insistindo que a Ucrânia deve fazer concessões territoriais como condição para a paz. Um acordo provisório firmado entre os Estados Unidos e o Irã nesta semana para encerrar a guerra no Oriente Médio é uma boa notícia para a Ucrânia, disse Zelensky, porque deverá reduzir os preços do petróleo e enfraquecer a capacidade da Rússia de financiar o conflito. Embora algumas pessoas próximas a Putin estejam pressionando o Kremlin a promover uma mobilização ainda maior de tropas russas, Zelensky acrescentou que a maioria dos russos entende que seu país não está vencendo a guerra. Infraestrutura civil sob ataque Um dia após drones russos atingirem um dos mosteiros históricos mais importantes de Kiev, Zelensky afirmou que agora existe um entendimento unânime dentro do G7 de que a Rússia está deliberadamente atacando infraestrutura civil. Zelensky disse que Trump respondeu positivamente ao seu pedido para aumentar o fornecimento de mísseis Patriot, fabricados nos EUA, para a Ucrânia — a única arma no arsenal ucraniano capaz de interceptar mísseis balísticos russos. “Esse é um grande desafio porque a produção não é tão grande quanto nossas necessidades”, afirmou Zelensky. Os EUA produzem aproximadamente 600 interceptadores Patriot por ano — número que muitos especialistas consideram inferior à produção de mísseis balísticos da Rússia. Muitos especialistas também avaliam que são necessários dois mísseis Patriot para garantir uma interceptação bem-sucedida. Zelensky afirmou ter discutido com Trump a possibilidade de os EUA concederem licenças a Kiev para produzir mísseis Patriot em território ucraniano. Ele também disse ter se reunido com altos executivos da Raytheon, fabricante desses interceptadores. “Queremos aumentar sua produção, se eles concordarem e se o presidente Trump apoiar essa ideia”, disse Zelensky, acrescentando que o líder americano foi “positivo”. Enquanto isso, a Europa precisa intensificar seus próprios esforços para desenvolver um sistema de defesa antimísseis capaz de derrubar foguetes balísticos a um custo menor, afirmou Zelensky.
Zelensky diz que G7 vê Rússia perdendo a guerra e discute novas sanções
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