Embora os pelos de animais de estimação tenham componentes alergênicos conhecidamente associados a crises de asma, não é necessariamente a convivência com os pets em casa que agrava os quadros em crianças e adolescentes no curto prazo. Essa é a conclusão de um estudo sueco de coorte que acompanhou por um ano mais de 30 mil participantes.

Os resultados, publicados na revista científica Frontiers in Allergy, mostram que crianças expostas a gatos no ambiente doméstico apresentam níveis semelhantes de gravidade da doença, frequência de exacerbações, controle da asma e função pulmonar quando comparadas àquelas que não convivem com os animais.

Segundo os autores, uma das explicações para os dados observados é que evitar um gato em casa não significa evitar seus alérgenos. Pelos e proteínas produzidas pelos felinos podem ser transportados em roupas, mochilas e objetos, permanecendo em escolas, transportes públicos e outros ambientes compartilhados. Assim, mesmo crianças que não possuem animais domésticos continuam expostas a esses fatores de risco no cotidiano.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias. Segundo a pesquisadora Maria do Socorro Cardoso, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a condição resulta de uma inflamação dos brônquios desencadeada por diversos fatores, entre eles processos alérgicos. Quando ocorre essa inflamação, as vias aéreas se estreitam e passam a produzir mais muco, dificultando a passagem do ar. Os sintomas mais comuns incluem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e cansaço ao praticar atividades físicas.