O anúncio recente de que tanto a OpenAI quanto a Anthropic preparam a primeira oferta pública de ações traz a corrida da inteligência artificial a uma nova fase.
Em vez de uma disputa por quem tem o melhor modelo de IA, a briga agora também é para mostrar aos investidores quem é capaz de sustentar um negócio lucrativo. E, na hora de fazer essa conta, segundo especialistas do mercado, um elemento entre tantos deve ganhar relevância: o resultado com clientes corporativos, critério que coloca na arena dois modelos de negócios distintos.
De um lado, a OpenAI, quase um sinônimo de IA perante o público e líder entre as pessoas comuns, com quase 1 bilhão de usuários ativos (dos quais, contudo, só 5% pagam para utilizar o chatbot). Já a Anthropic focou estratégia em conquistar primeiro desenvolvedores de software e clientes corporativos —um plano que, em meio à corrida para o primeiro IPO, parece fazer a companhia ganhar tração.
Segundo Paulo Carvão, ex-executivo da IBM e pesquisador na Universidade Harvard, tal cenário faz os investidores serem confrontados com uma questão crucial na economia da IA: a sustentabilidade dos negócios vai vir da escala de consumo ou da receita empresarial?
"Os mercados públicos [de capital] têm menos tolerância a empresas que não sejam lucrativas. Entra esse debate do modelo de negócios. E a OpenAI tem um caminho grande até a lucratividade, enquanto a Anthropic está começando a esboçar essa possibilidade, ainda que de forma transitória", diz ele.








