Zinedine Zidane e Lionel Messi nunca jogaram na mesma equipa e só se defrontaram uma vez, num Real Madrid-Barcelona em 2005, já na fase crepuscular da carreira de “Zizou” e com o argentino em plena fase de afirmação. Na madrugada de terça para quarta-feira, Messi voltará a ter pela frente um Zidane, mas não esse Zidane. Luca Zidane, um dos quatro filhos do antigo internacional francês, será a última linha de defesa da Argélia frente à campeã mundial Argentina, em jogo a contar para o Grupo I (SPTV5). Vinte anos depois da infame cabeçada de “Zizou” a Materazzi na final de 2006, volta a haver um Zidane na fase final de um Mundial. Mas este vai à baliza.A chegada de Luca Zidane à selecção argelina é relativamente recente, apenas no final do ano passado, titular num jogo de qualificação para o Mundial em Outubro. Depois, foi ele o titular na campanha da Argélia na Taça das Nações Africanas e tem sido ele o dono da baliza nos particulares de preparação para o torneio, para um total de sete internacionalizações na selecção do Norte de África. Em teoria, será ele o titular no confronto com os campeões do mundo reinantes, a Argentina.Nascido em França (Marselha) e criado em Espanha (Madrid), jogar pela Argélia não é uma coisa estranha para este guarda-redes de 28 anos, que chegou a ser internacional jovem por França – foi campeão europeu de sub-17. “A minha família viveu em França, eu vivi em Espanha, mas a ligação que tenho com a Argélia não se explica”, dizia Luca em Março passado à revista “Onze”. “Quando visto a camisola da selecção, quando oiço o hino, são emoções incríveis”, acrescentou o guarda-redes do Granada.Número 23“Zizou”, um dos grandes médios do futebol mundial, tem quatro filhos que deram em futebolistas – por ordem de nascimento, Enzo, Luca, Theo e Elyaz. Todos passaram pela formação do Real Madrid, porque era onde o pai trabalhava, como treinador da equipa principal dos “merengues” e dois deles ainda jogaram com os “crescidos”. Enzo, um médio, fez meio jogo numa eliminatória da Taça do Rei e marcou um golo, Luca fez dois jogos completos na Liga espanhola entre 2018 e 2019. Mas, enquanto Enzo, já retirado depois de uma carreira que passou brevemente pelo Desportivo das Aves, Luca continua a lutar pelo seu lugar no futebol.Depois de beneficiar do nepotismo que é ter o pai como treinador de um dos maiores clubes do mundo, Luca passou pelo Racing Santander, Rayo Vallecano, Eibar e Granada, onde está há duas épocas. Pelo meio, recusou convites para jogar em França porque não lhe garantiam a titularidade e ele queria continuar a jogar. No clube andaluz, tem mostrado agilidade entre os postes e competência a jogar com os pés e, por vezes, até usa a braçadeira de capitão.Luca não vai usar nenhum dos números do pai – “Zizou” foi o 7 no Bordéus, o 21 na Juventus, o 5 no Real Madrid e sempre o 10 da França. Vai usar o 23 da Argélia e vai ser ele o principal alvo do pé esquerdo de Messi, enquanto, mais à frente no campo, Ryad Mahrez continua a ser o líder incontestado dos argelinos. Quanto a Zinedine Zidane, que é tido como o próximo seleccionador francês após o Mundial e que já foi visto nas bancadas do Mundial, vai falhar a estreia em Nova Jérsia da França, que conduziu ao título mundial em 1998. Vai ver o filho jogar pela Argélia em Kansas City,