Iphan e Secretaria municipal de Urbanismo e Meio Ambiente determinaram interrupção das intervenções até que as licenças sejam apresentadas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O canteiro de obras no Aterro do Flamengo — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 07:57 Obras de empresa chinesa no Aterro do Flamengo geram polêmica e embargos Intervenções de uma empresa chinesa no Aterro do Flamengo, no Rio, geraram indignação entre moradores, preocupados com a preservação da paisagem. O Iphan embargou as obras, exigindo licenças adequadas. A prefeitura demanda documentação em cinco dias e limita o uso do local a um eletroposto. Moradores temem desfiguração e poluição visual, enquanto a empresa afirma respeitar normas ambientais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A obra que avança no canteiro central do Aterro do Flamengo, entre o parque e a Enseada de Botafogo, na Zona Sul do Rio, preocupa moradores da região. Eles citam a preocupação com a integridade de uma das paisagens mais bonitas da cidade — já alterada parcialmente pela instalação de um imenso tapume pintado de verde. No espaço já funcionou um posto de gasolina e, agora, uma empresa chinesa de carros elétricos quer montar ali pontos de recarga de bateria e um showroom para a comercialização de seus modelos. A intervenção, porém, foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico de Artístico Nacional (Iphan) após os protestos dos moradores. O órgão explicou que o trecho onde está sendo realizada a obra não é tombado ao nível federal. Porém, esclarece que é parte do entorno de coisa tombada. Por conta disso, por lei, a realização de qualquer intervenção depende de autorização do órgão. "De acordo com o art. 18 do Decreto-Lei Nº 25/1937, qualquer intervenção em áreas de entorno deve ser previamente autorizada pelo Iphan, não sendo permitido, sem prévia autorização da autarquia, fazer construção em área vizinha a bens tombados em nível federal nem nela colocar anúncios ou cartazes que afetem ou reduzam a ambiência ou a visibilidade do bem efetivamente protegido." A Prefeitura do Rio informou que equipes das secretarias municipais de Urbanismo e de Meio Ambiente estiveram no local, cobraram a apresentação de licenças num prazo de cinco dias; até lá, a obra está suspensa. A prefeitura ressaltou que o antigo posto de combustível poderá funcionar apenas como eletroposto, sem o showroom. Em 14 de maio do ano passado, um despacho da Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano indicava que 2,6 mil m² da área compõem o objeto do Termo de Concessão de Uso. O local é revestido por árvores e outras plantas, motivo de preocupação entre moradores — que também criticam o fato de uma área pública estar sendo ocupada por empresa particular, a GWM, que comercializa linhas como a Haval e a Ora. — É um absurdo. Estão ocupando o espaço que era do posto e expandindo. É uma área de grande importância cultural e histórica, cujo uso deveria continuar sendo público e não privado. Na verdade, não deveriam construir nada ali — reclama a moradora Sula Danowski, que defende o uso comum do espaço. Vizinhos contam que a obra não para nem no fim de semana. Neste domingo, segundo um morador, havia movimentação de operários até as 23h. Na manhã desta segunda-feira, havia um grande número de pessoas trabalhando no local, além de uma retroescavadeira. Alguns consideram que o empreendimento privado vai desfigurar o cartão-postal. — O que sabemos é que é uma concessionária chinesa que vai se instalar aí. É uma vergonha. Sou estrangeiro e na Europa nem estaríamos conversando sobre esse tipo de coisa. Ninguém faria isso numa área dessas. É uma vergonha — se queixou o italiano Giovanni Spanedda, de 57 anos, há dez morando no local. Alguns consideram que o empreendimento privado vai desfigurar o cartão-postal. É no que acredita o contador e estudante de arquitetura Célio Luiz Tavares de Carvalho Abel, de 45 anos, que mora há cinco anos no 9º andar de um prédio em frente ao local da obra. — Não é lugar para isso. Vai trazer poluição visual, desconforto e transtorno. Só vai degradar o espaço. Tenho medo também do que pode acontecer com as árvores — teme o morador. Sem cortes de árvores Embora moradores denunciem que a área construída será duas vezes maior do que a ocupada pelo antigo posto de gasolina, a prefeitura garante que a estrutura será implantada exatamente na área onde já funcionou o empreendimento anterior. Sobre a preocupação dos moradores com possível corte de árvores — circula na internet vídeo mostrando escavações profundas bem próximo de uma árvore — o município assegura que não há previsão de supressão de vegetação. "A implantação do empreendimento observará integralmente a legislação urbanística, ambiental e patrimonial aplicável, incluindo as exigências dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio cultural e paisagístico", diz a nota. O que diz a empresa Marcelo Andrade, diretor comercial da GWM, afirmou por meio de nota que se preocupa em montar "um projeto harmônico de acordo com o local, e, principalmente, preocupado com a preservação do meio ambiente". Sobre a interrupção das obras pelo Iphan, Andrade afirmou que já acionou o jurídico da GWM para comprovar que há todos os documentos para dar continuidade ao empreendimento.
Obras de empresa chinesa no Aterro do Flamengo gerou revolta de moradores antes de ser embargada; entenda
Iphan e Secretaria municipal de Urbanismo e Meio Ambiente determinaram interrupção das intervenções até que as licenças sejam apresentadas






