O Irão recuperou por duas vezes de uma desvantagem no marcador para empatar 2-2 com a Nova Zelândia, num emocionante encontro do Mundial 2026 disputado na segunda-feira, 15 de Junho, no estádio de Los Angeles, tendo como pano de fundo protestos contra o Governo de Teerão e um acordo provisório para pôr fim à guerra entre os Estados Unidos e o Irão.A Nova Zelândia adiantou-se cedo no marcador, quando Elijah Just finalizou de primeira dentro da área, após assistência de Chris Wood. O golo foi celebrado por alguns adeptos críticos do Governo iraniano, muitos dos quais exibiam a bandeira do Leão e Sol, anterior à revolução iraniana. Alguns assobiaram também durante o hino nacional do Irão antes do início do jogo.Contudo, a maioria dos mais de 70 mil espectadores apoiou claramente a "Team Melli", entoando "Ir-ran! Ir-ran!" e explodindo de alegria quando Ramin Rezaeian empatou pouco depois da meia hora. Rezaeian, um dos vários jogadores iranianos que não competiam ao nível de clubes desde Fevereiro, depois da suspensão do campeonato nacional devido aos ataques aéreos norte-americanos e israelitas, reagiu mais rapidamente a um remate bloqueado por um defesa e desviou a bola para a baliza perante a saída do guarda-redes.Wood e Just voltaram a combinar no início da segunda parte, com o capitão neozelandês a servir com precisão o avançado de 26 anos, que rematou com força para devolver a vantagem aos "All Whites".O Irão respondeu 10 minutos depois com um excelente golo de Mohammad Mohebbi, que cabeceou para o fundo das redes após um cruzamento perfeito de Rezaeian, com a bola ainda a tocar no poste mais distante, estabelecendo o 2-2.O Irão criou as melhores oportunidades até ao apito final, mas não conseguiu encontrar o golo da vitória, enquanto o sol se punha sobre o Sul da Califórnia."Adoro a minha mãe e o meu pai. Eles rezam sempre por mim nos momentos difíceis, por isso este golo é para eles", afirmou Rezaeian. "E também para o meu povo no Irão", acrescentou.Grupo G totalmente equilibradoO empate significa que todas as equipas do Grupo G têm um ponto, depois de a Bélgica ter empatado 1-1 com o Egipto, também na segunda-feira. A Nova Zelândia, que participa pela terceira vez na fase final de um Mundial, continua sem qualquer vitória na competição, ao fim de sete jogos. O Irão procura atingir os oitavos de final pela primeira vez."Estamos desapontados por não termos vencido", afirmou o seleccionador da Nova Zelândia, Darren Bazeley. "Quando se está duas vezes em vantagem num jogo, acaba-se por pensar no que poderia ter sido. Provavelmente estivemos mais perto do que nunca de ganhar um jogo no Mundial e hoje não conseguimos fazê-lo. Mas estamos no Mundial, não perdemos, mantivemo-nos no jogo, marcámos golos e criámos oportunidades, por isso foi uma exibição muito forte, da qual me orgulho bastante", disse Bazeley.Manifestantes criticam Governo iranianoO encontro evidenciou as divisões entre os adeptos iraniano-americanos, muitos dos quais afirmaram sentir-se divididos entre o orgulho de ver o Irão no maior palco do futebol mundial, a indignação perante a repressão de manifestantes por parte de Teerão e a preocupação com a campanha de bombardeamentos de Washington.Los Angeles alberga a maior diáspora iraniana do mundo e, antes do apito inicial, entre 300 e 500 manifestantes concentraram-se junto ao estádio, empunhando cartazes e bandeiras contra o Governo. Alguns iraniano-americanos consideraram que assistir ao encontro equivaleria a apoiar o Governo iraniano, enquanto outros defenderam que era possível separar a política e apoiar os jogadores.Antes do torneio, o Irão transferiu o seu centro de estágio de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, onde a equipa tem sido bem recebida pela população local. No entanto, esta mudança obriga a selecção a efectuar viagens internacionais para os três jogos da fase de grupos.O seleccionador iraniano, Amir Ghalenoei, afirmou que a equipa era obrigada a regressar ao México ainda na noite de segunda-feira e queixou-se de que o presidente da federação, bem como elementos das equipas técnica e de gestão, não conseguiram deslocar-se aos Estados Unidos por lhes terem sido recusados vistos. "Penso que, talvez, a nossa selecção seja a mais prejudicada deste Campeonato do Mundo", afirmou, através de um intérprete.Ainda assim, mostrou-se satisfeito com a forma como a equipa foi recebida pelos adeptos. "Penso que foi um ambiente muito bom", afirmou. "Foi muito positivo. Fiquei muito satisfeito com os adeptos que apoiaram os jogadores iranianos. Penso que isso foi uma grande conquista", salvaguardou.O Irão regressará a Los Angeles para defrontar a Bélgica, enquanto a Nova Zelândia medirá forças com o Egipto, em Vancouver, nos próximos encontros do Grupo G, agendados para domingo.