A viagem feita por meio de um programa de visitação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) à WEG, no início dos anos 2000, definiu o futuro do então estudante de engenharia elétrica Alberto Yoshikazu Kuba. Em Jaraguá do Sul (SC), cidade sede do grupo, ouviu depoimentos positivos sobre Geraldo Werninghaus, um dos fundadores da empresa (o G da marca WEG) e então prefeito da cidade. Enviou seu currículo e começou em 2001 uma bem-sucedida carreira de 25 anos na única empresa em que trabalhou. De estagiário, tornou-se, aos 44 anos, CEO da fabricante de produtos eletroeletrônicos presente em 18 países. Na função, que ocupa há dois anos, Kuba comanda uma potência que emprega mais de 49 mil colaboradores (18 mil no Brasil) e, em 2025, faturou R$ 40,8 bilhões, 60% fora do país. A trajetória de liderança começou quando tinha 23 anos, ao assumir a supervisão comercial da divisão de motores industriais, e avançou entre 2009 e 2020, período em que esteve à frente da operação da WEG na China. “Acabei sendo expatriado e construí parte da minha carreira na China, passando de gerente de vendas a diretor de vendas, diretor-superintendente e presidente de toda a operação”, conta o executivo, sobre a operação asiática. “De uma pequena e deficitária operação com uma fábrica e 250 funcionários, crescemos para seis unidades fabris e mais de dois mil colaboradores.” Mais importante do que a experiência na China, no entanto, foram os últimos anos no Brasil, diz Kuba. “Mesmo em plena pandemia, construímos novas fábricas na Índia e em Portugal, ampliamos várias plantas no Brasil, investimos no México e na China. Com isso, passamos da terceira para a primeira posição no mercado global, e o market share saltou de 7,5% para 16%.” Na volta ao Brasil, passou a tocar a maior operação da WEG, a de motores industriais. Quando foi informado por Décio da Silva, presidente do conselho da WEG, de que era um dos dois finalistas para o cargo de CEO, foi questionado sobre o que faria se não fosse o escolhido. Sua resposta: “Muito mais do que ser um CEO, minha missão sempre foi desenvolver pessoas, criando uma organização mais justa, onde as pessoas se sintam valorizadas e enxerguem oportunidades para crescer”. Esse propósito é coerente com seu estilo de gestão, que procura delegar tarefas baseando-se em prioridades e acompanhar a execução de acordo com o nível de maturidade de quem recebeu a incumbência. Sereno e difícil de se abalar emocionalmente, ele conta que leu, na faculdade, um livro que mudou sua vida: “Inteligência Emocional”, de Daniel Goleman. “A forma como lido com pressão e como envolvo o time sempre foi um diferencial da minha carreira. Outra habilidade é minha capacidade de pegar um tema, simplificá-lo e transformá-lo num plano de ação”, diz. A vocação e o desejo de se tornar CEO foram identificados na infância, na área de vendas no comércio dos pais, mas ele trabalhou para ter uma formação mais completa. Além da graduação em engenharia, tem MBA em gestão empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), especialização em finanças corporativas pela Fundação Dom Cabral (FDC) e formações em liderança e gestão por Stanford e Insead. Hoje, o que mais o inquieta é sua missão de, como CEO, construir uma empresa cada vez mais global. “O Brasil é apenas 3% do nosso mercado-alvo. A WEG que vou deixar em 2040 terá muito mais receita e colaboradores fora do Brasil”, diz. Casado e com dois filhos, Kuba gosta de dirigir carros antigos por Jaguará do Sul, onde vive. “Conciliar as frequentes viagens com a vida pessoal só com disciplina, colocando na agenda de trabalho datas e eventos familiares importantes, para que o planejamento das viagens os leve em consideração”, diz. Empresas em que trabalhou: sempre na WEGIdade em que se tornou CEO: 44 anosMaior orgulho da carreira: ter sido expatriado para a China como gerente de vendas e saído de lá como diretor-superintendente de uma operação bem-sucedidaPessoas que o inspiram: Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, fundadores da WEG, e o filósofo e humanista Daisaku IkedaHobby: carros antigos