“Eu não sou um executivo sofisticado, sou um executivo simples.” É dessa maneira que Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer, descreve sua forma de gestão à frente de uma companhia global com 23 mil funcionários. Desde que assumiu a função, em 2019, atravessou crises sucessivas, que alteraram a indústria aeronáutica global, mantendo planos de investimento, metas e reuniões periódicas de acompanhamento da operação. “Começou em 2020”, afirma o executivo. “Teve a covid misturada com o final do negócio com a Boeing. Depois veio a hiperinflação global. Depois, a guerra da Ucrânia com a Rússia. Depois, o tarifaço.” Mesmo nesse cenário desafiador, a Embraer não alterou sua rota de crescimento. No primeiro trimestre de 2026, a carteira de pedidos alcançou US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde histórico consecutivo da fabricante. “A gente procura focar naquilo que é importante, naquilo que é essencial”, afirma o CEO. A forma como ele descreve sua gestão raramente passa pela figura do executivo solitário. Gomes Neto fala quase sempre em grupo. Na Embraer, diz ele, as decisões passam por discussões coletivas. “A gente debate bastante os temas. No fim do dia, a gente define uma direção e, quando toma essa direção, todo mundo se engaja.” Em momentos de crise, conta, a companhia monta grupos de trabalho específicos para cada problema. “O que a gente faz é criar um grupo de trabalho de acordo com a dimensão da crise e definir ações de cada área da companhia para enfrentar a situação.” “Tenho o privilégio de contar com uma equipe fantástica, que me ajuda nas tomadas de decisões de forma colaborativa, assim como a participação ativa do nosso conselho de administração”, diz o executivo. Para ele, liderança também passa por manter prioridades claras mesmo em ambientes instáveis. “A gente atua com pragmatismo e procura focar naquilo que é importante e essencial.” E por delegar — algo que faz “muito”, ressalta. A divisão do plano estratégico em 16 frentes, periodicamente acompanhadas pela diretoria, também facilita a gestão. Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC-SP), com MBA em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e em controladoria e finanças pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Gomes Neto se tornou CEO aos 35 anos, inicialmente em uma empresa de 150 funcionários. Ele sequer pensava em liderar uma companhia global do porte da Embraer, com operações espalhadas pelo mundo. “No começo da minha carreira, eu não imaginava que estaria aqui”, diz. Sua trajetória, no entanto, inclui experiência de 20 anos como presidente e CEO de companhias multinacionais como Marcopolo, Mann-Hummel e Knorr Bremse. Ao falar da evolução profissional, ele cita dedicação, comunicação e trabalho em equipe. “Eu sempre fui uma pessoa bastante dedicada, bastante dinâmica, sempre gostei de trabalhar em equipe e de buscar o foco correto para as coisas.” Gomes Neto diz que gosta da “adrenalina do dia a dia”, mas não é por isso que não pensa em sucessão. “Chega o momento até de a gente construir uma sucessão para dar continuidade”, afirma. A rotina diária segue a mesma lógica de preparação e constância. Ele acorda entre 5h30 e 6h para se exercitar. Às 22h já está na cama. “Eu gosto do esquema americano de jantar às 19h, para poder dormir mais cedo”, explica. Também afirma que prepara reuniões, apresentações e eventos com antecedência. “Eu não gosto nada de improviso.” Empresas em que trabalhou: Marcopolo, Mann-Hummel e Knorr BremseIdade em que se tornou CEO: 35 anosMaior orgulho da carreira: o processo de engajamento dos colaboradores para a recuperação e o crescimento da Embraer nos últimos cinco anosPessoa que o inspira: Ozires SilvaHobby: corrida e ginástica