No dia 17 de maio, um domingo nublado e com temperaturas amenas de fim de primavera em Washington, o governo Donald Trump organizou um evento em frente ao Congresso americano chamado "Reconsagrando 250: Jubileu Nacional de Oração, Louvor e Ação de Graças".

Parte da série de cerimônias organizadas pela Casa Branca para marcar os 250 anos da independência dos Estados Unidos, no próximo 4 de julho, o evento contou com políticos republicanos, líderes evangélicos próximos a Trump e discursos em vídeo de membros do primeiro escalão do governo. Todos tinham a mesma mensagem: a de que os EUA foram fundados como uma nação cristã.

"Era óbvio para os nossos fundadores que nossa fé era o solo sobre o qual a América se ergue, nosso alicerce como povo", disse em fala gravada o vice-presidente J. D. Vance. "A moralidade e a religião que formaram a identidade americana eram firmemente cristãs, fundadas com base nos princípios e divindade de Jesus Cristo."

O próprio presidente americano enviou um vídeo lendo um trecho da Bíblia particularmente famoso entre trumpistas, interpretado como uma metáfora sobre os EUA.

Trata-se de uma passagem do capítulo sete do segundo livro de Crônicas, em que Deus diz a Salomão: "Se vocês se afastarem de mim e aban­donarem os decretos e os mandamentos que dei a vocês e prestarem culto a outros deuses e ado­rá-los, desarraigarei Israel da minha terra. [...] Farei que ele se torne objeto de zom­baria entre todos os povos."