Os brasileiros acreditam que o momento atual do mercado de trabalho continua favorável, mas já demonstram preocupação quanto à manutenção desse cenário positivo no longo prazo. É o que mostra a Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). De acordo com o levantamento, no trimestre encerrado em maio, 25,5% dos entrevistados afirmaram que está fácil ou muito fácil conseguir trabalho, maior patamar da série histórica, iniciada em julho do ano passado. Na outra ponta, 51,2% dos respondentes disseram estar difícil ou muito difícil conseguir um trabalho no país no momento, o que representou o menor patamar da série. O percentual de pessoas com a percepção que está normal ficou em 23,3%. "Temos visto uma atividade que cresce nos últimos anos e esse primeiro semestre tende a ser também bastante favorável. As previsões ainda são favoráveis para a economia nessa primeira metade do ano e isso tem se refletido também na percepção das pessoas, porque o mercado de trabalho tem respondido bastante de acordo com o ritmo da economia. E [essa conjuntura] acaba sendo um fator bastante favorável para a percepção das pessoas", diz o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre e responsável pela pesquisa. Mas na outra ponta, os trabalhadores enxergam que, nos próximos seis meses, será mais difícil obter uma ocupação. A parcela de entrevistados que disse que a situação estará pior ou muito pior atingiu 37,1%, subindo para o mesmo patamar de outubro do ano passado, enquanto 29,6% responderam que em seis meses o cenário estará melhor ou muito melhor — o nível mais baixo desde setembro de 2025. Para 33,3%, a situação estará igual. "É um ano eleitoral, que traz mais turbulência, ao mesmo tempo a gente tem visto essa questão dos conflitos no Oriente Médio, que, de alguma forma, acabam resvalando no Brasil. A [expectativa é] de uma inflação um pouco mais alta do que se esperava e de juros também mais altos do que se imaginava. As previsões de janeiro eram bem mais favoráveis que agora para a economia como um todo. Acho que esse cenário macroeconômico que ainda está muito complexo faz com que as pessoas também fiquem cautelosas sobre a continuidade desse mercado de trabalho aquecido", diz Tobler. Rodolpho Tobler , economista e pesquisador do FGV Ibre — Foto: Leo Pinheiro/Valor