No terceiro andar de um casarão histórico no centro de Belém, livros impressos há quase 500 anos resistem ao clima quente e úmido da Amazônia. Lá, a Biblioteca Fran Paxeco, do Grêmio Literário e Recreativo Português, guarda cerca de 40 mil itens, entre obras raras dos séculos 16 ao 18.

Fundada em 1867, ainda no período imperial, a biblioteca na capital do Pará preserva parte da memória da imigração portuguesa na Amazônia. O espaço é aberto gratuitamente ao público para pesquisa e visitação.

O exemplar mais antigo no acervo é o livro "Phila", de 1528, escrito em latim e mantido na área de obras raras. Sua publicação é anterior à fundação da própria capital paraense, que só ocorreria em 1616. Outra joia da coleção é "Chronographia y Repertorio de los Tiempos", do astrônomo espanhol Francisco Vicente de Tornamira, publicado em 1585.

Entre tratados religiosos, científicos e históricos, a biblioteca abriga ainda a Coleção Camiliana, dedicada ao escritor português Camilo Castelo Branco. O conjunto reúne diferentes edições de "Amor de Perdição", romance publicado em 1862 e considerado um dos clássicos da literatura portuguesa.

A edição ilustrada de "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes, publicada em 1723, está entre as obras que mais chamam a atenção dos visitantes. Perto dela, uma edição de 1898 de "Os Lusíadas", de Luís de Camões, aproxima o público de um dos textos fundamentais da literatura em língua portuguesa.