Numa era de experiências formatadas, Sines continua a apostar num festival que é mais do que música, é mundo. Entre o largo da aldeia de Porto Covo e vários espaços de Sines, ecoam sons de todas as cores. São 38 concertos com artistas de geografias tão distintas como a Palestina, o Mali, a Jamaica, o Chile e o Brasil — num total de mais de vinte países representados.A descoberta de novos estilos, o contacto com outras culturas e a celebração que a música proporciona fazem jus ao que promete o FMM Sines: “música com espírito de aventura”. É assim há 26 anos, mas não seria possível desafiar os “espectadores-descobridores”, como idealizou a organização, se os visionários que criaram o evento não continuassem a ser os timoneiros da viagem. O Município de Sines e Carlos Seixas, director artístico e de produção desde a 1.ª edição, mantêm-se à frente do festival.De Porto Covo à PalestinaComo habitual, o FMM Sines arranca em Porto Covo no dia 17 de Julho, com os concertos de Bruno Pernadas e da orquestra britânica de afro-jazz TC & The Groove Family. O fim-de-semana prolonga-se com a música tuaregue de Tamikrest, os sons cubanos de Emilio Moret e o rock psicadélico da Eslováquia, com os Tolstoys. No Domingo, Momi Maiga partilha as raízes do Senegal e The Legendary Tigerman encerra o programa na aldeia. Todos os espectáculos acontecem no Largo Marquês de Pombal, com entrada livre.A semana começa com uma espécie de transição, “entre o cante jondo da andaluza Paqui Ríos, a electrónica afro-latina do peruano Vitu Valera e o tango “underground” do trio argentino Tablao de Tango”, como apresenta a organização do festival. No segundo dia em Sines, os sons voltam ao Senegal com Mariaa Siga, os franceses One Rusty Band trazem rock burlesco e o projecto RESSOA - Ecos do Mundo apresenta as suas criações colectivas, que juntam artistas residentes em Portugal e oriundos de várias geografias.A meio da semana, Filipe Sambado abre o mítico palco do castelo, ao final da tarde. A noite começa com o filme-concerto tunisino Aïchoucha by Khalil Epi e o programa segue com a catalã Lia Kali e o reggae de Julian Marley & The Uprising (um dos filhos de Bob Marley). A festa continua no palco da Avenida Vasco da Gama, junto à praia, com os portugueses Yakuza e a electrónica hiptónica dos franceses Super Parquet.Na Quinta-feira, o dia abre com a intervenção dos Duques do Precariado, seguida dos nigerianos The Cavemen. e da napolitana La Niña, antes do afrobeat do também nigeriano Mádé Kuti. Na Avenida, a noite acelera entre o folclore electro-urbano dos chilenos Calle Mambo e os RS Produções. O dia seguinte começa com os Lavoisier e, com a chegada da noite, a viagem vai da tradição marroquina de Aïta Mon Amour et Ouled Abda à canção de intervenção d’A garota não, terminando com a tropicalidade visceral de Otto. A pista junto à praia fica por conta de Saad Tiouly e da electrónica de Pedro da Linha.