O balneário de Évian-les-Bains, encravado nos Alpes franceses à beira do lago Léman, recebe, a partir desta segunda-feira (15), a 52ª cúpula do G7 num momento em que o cenário geopolítico mudava enquanto os líderes ainda faziam as malas.

Nas últimas horas, o primeiro-ministro do Paquistão, mediador do conflito no Oriente Médio, anunciou que EUA e Irã estavam próximos de assinar um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o estreito de Hormuz —fechado há mais de cem dias, desde o início da guerra, em fevereiro.

Se confirmado, seria o desenvolvimento mais significativo desde o início do conflito. Mas a guerra na Ucrânia continua sem saída, as tensões tarifárias com Washington não diminuem, e o multilateralismo enfrenta sua mais severa crise de legitimidade em décadas. No centro de quase todas essas tensões, como de costume, está Donald Trump.

O otimismo com o Oriente Médio deve ser temperado pela história recente —e pelos acontecimentos das últimas horas. Mesmo após o anúncio paquistanês, Israel voltou a bombardear Beirute, e o Irã responsabilizou Washington por não conter os israelenses, afirmando que os EUA "carecem de vontade para cumprir suas obrigações".

Mesmo que o memorando seja assinado, sua durabilidade é incerta: as negociações sobre o programa nuclear iraniano prometem ser longas e difíceis, e o Irã já demonstrou disposição para voltar a bloquear o estreito. Para os líderes que chegam a Évian, a questão não é só se o acordo vai existir, mas se vai durar.