Média de altura dos jogadores japoneses subiu nas últimas décadas, e dependência da liga local diminuiu. Seleção busca romper barreira das oitavas de final 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jogadores do Japão chegam para sessão de treinamento às vésperas da estreia na Copa do Mundo 2026 — Foto: Paul ELLIS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/06/2026 - 00:21 Japão estreia na Copa de 2026 com elenco mais forte e experiente A seleção japonesa estreia na Copa do Mundo de 2026 com um elenco mais imponente fisicamente e com maior experiência internacional. Com apenas três jogadores atuando na liga local e uma média de altura de 1,81m, o Japão busca superar a barreira das oitavas de final. Com uma formação mais europeia, a seleção se destaca por vitórias recentes e a integração de talentos na Europa. O confronto inicial contra a Holanda será crucial para as aspirações no torneio. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Cercada de expectativa, a seleção japonesa estreia na Copa do Mundo hoje, contra a Holanda, em Dallas (EUA), com o elenco de maior imposição física e bagagem internacional que já conseguiu reunir. Dos 26 convocados, só três atuam no futebol japonês, e a média de altura da seleção, de 1,81m, está longe de figurar entre as menores da Copa. A formação mais “europeia” e menos “baixinha” vem alimentando esperanças de que o Japão rompa a barreira das oitavas de final pela primeira vez em Mundiais. Para ir mais longe do que jamais chegou, o Japão pode ter que passar pelo Brasil, já que o primeiro colocado da chave de um abre o mata-mata enfrentando o segundo colocado do grupo do outro. No único encontro até hoje em Copas, em 2006, a seleção brasileira goleou por 4 a 1 na fase de grupos. O último amistoso entre ambas, porém, teve vitória japonesa por 3 a 2 sobre os comandados de Carlo Ancelotti, no fim do ano passado. — Acho que, mesmo se vencer a Copa algum dia, aquela vitória continuará sendo considerada o maior jogo da história do Japão — afirma o jornalista Matheus Paes, criador da página J.League Insider Brasil, especializada em futebol japonês. — O Japão respeita muito o futebol brasileiro, mas jogou fazendo marcação pressão, como costuma fazer. E o ensinamento foi que é capaz de ganhar assim. A intensidade de jogo alcançada sob o comando do treinador Hajime Moriyasu, que está na seleção desde a Copa de 2018, foi viabilizada junto a transformações esportivas e demográficas no Japão. Levantamento do GLOBO com dados da Fifa aponta que a média de altura japonesa, antes na casa de 1,78m, subiu para 1,79m em 2022 — numa Copa com vitórias surpreendentes sobre Alemanha e Espanha — e chegou a 1,81m neste ano. A mudança, embora pareça sutil, foi suficiente para o Japão agora ter um elenco mais alto, na média, do que seleções como Colômbia, Portugal, Egito, Uruguai e África do Sul, o que não ocorria em outros Mundiais. Aos poucos, o estereótipo de fragilidade japonesa no jogo aéreo foi caindo por terra. No amistoso contra o Brasil em 2025, por sinal, o gol da vitória do Japão foi marcado de cabeça pelo atacante Ueda, de 1,82m. Além disso, o número de jogadores que atuam na Europa subiu de apenas quatro, na Copa de 2010, para 23 na seleção deste ano. Um exemplo de como essa combinação rende frutos ao Japão é o goleiro Zion Suzuki, do Parma (ITA), de 1,90m, símbolo de segurança defensiva e da maior integração cultural do país. Filho de pai ganês e mãe japonesa, ele é o primeiro goleiro negro da seleção japonesa. E será também o mais alto a entrar em campo na meta japonesa em Copas. Zion Suzuki, goleiro da seleção do Japão — Foto: Julio Cesar AGUILAR / AFP Outros destaques atuais do Japão, como os meias Kubo e Kamada, têm destaque em campeonatos importantes da Europa, por clubes como Real Sociedad (ESP) e Crystal Palace (ING), respectivamente. — A imigração foi um fator importante para essa maior média de altura, mas a maior imposição física também tem a ver com o fluxo de jogadores japoneses para a Europa. Quando você tem um zagueiro como Hiroki Ito no Bayern de Munique, esse convívio acaba aumentando a capacidade física dos atletas — afirma o jornalista Matheus Paes. Daichi Kamada celebra gol do Japão durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo 2026 — Foto: JIJI Press / AFP Segundo o especialista em futebol japonês, essa maior internacionalização dos jogadores japoneses foi motivada, em parte, pelos valores relativamente baixos de transferências para clubes europeus. A maior venda de um japonês na história da J-League foi a do zagueiro Takai, que deixou o Kawasaki Frontale no ano passado rumo ao Tottenham (ING) por 6 milhões de euros. O valor fica muito abaixo, por exemplo, das maiores vendas do futebol brasileiro, mesmo considerando só o ano de 2025, quando jogadores como o meia Gerson e o volante André seguiram para a Europa por mais de 20 milhões de euros cada. Essa diferença, somada aos investimentos em estrutura e formação de jogadores na liga japonesa, tornou o Japão terreno fértil para as ligas europeias garimparem talentos. Contra a Holanda, neste domingo, o Japão entra em campo cotado para disputar a liderança do Grupo F. Apesar de muitas vezes serem desmentidos quando a bola rola, os prognósticos sugerem que o vencedor do jogo em Dallas acabará no topo da chave. Em 2010, na única vez em que dividiram o mesmo grupo, a Holanda levou a melhor. Agora, os japoneses tentam mostrar que os tempos são outros.