Rogério Marinho reconhece 'abalo' em candidatura, evita cravar nome para vice do filho de Bolsonaro e defende reforma administrativa em eventual governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Rogério Marinho — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 17:15 Rogério Marinho minimiza impacto de escândalo na campanha de Flávio Bolsonaro e defende reforma administrativa Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, admite que o caso "Dark Horse" abalou a candidatura, mas minimiza o impacto a longo prazo, afirmando que a política é uma "maratona". Marinho defende uma reforma administrativa e critica a PEC do fim da escala 6x1, propondo alternativas para o mercado de trabalho. A escolha do vice de Flávio ainda está em discussão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Coordenador da pré-campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) reconhece que a revelação do caso “Dark horse” “abalou” a campanha e teve efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto. Marinho avalia que o impacto teria sido menor se Flávio tivesse exposto antes a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a quem pediu dinheiro para financiar a cinebiografia do pai. Ele, no entanto, minimiza a repercussão a longo prazo e diz que a disputa pelo Planalto é uma “maratona, não corrida de 100 metros”. Líder da oposição no Senado, Marinho afirma ainda que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara com apoio de deputados do PL, impõe uma “camisa de força ao setor produtivo”. Como contraponto, ele apresentou uma proposta alternativa, com a possibilidade de escolha entre o regime previsto na CLT e uma jornada baseada em horas trabalhadas. As pesquisas mostram a queda do Flávio após o caso “Dark horse”. Isso atrapalhou a campanha? Uma campanha não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Foi apresentada uma candidatura contra alguém que está sentado na cadeira e faz política há 40 anos. A rejeição a Lula está cristalizada e existem vetores que demonstram essa repulsa. Quais? O primeiro é a corrupção. O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B. Ele (Vorcaro) foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário (Lula). Não há perplexidade nem indignação. Quando você fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E na hora em que do nosso lado tem uma relação privada, é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha. Flávio disse que vai divulgar a prestação de contas do filme. Quando isso vai acontecer? Esperamos que após a prestação de contas, que será feita, as pessoas possam virar essa página e entender que nós temos um Brasil para discutir. O prazo que ele disse termina nesta semana. Em que pé está isso? Aguarde o prazo. O PL vai trocar o candidato se novos elementos da relação entre o Flávio e o Vorcaro aparecerem? Flávio é o nosso plano A, B, C e F. Há uma disputa por influência no entorno do Flávio entre uma ala ideológica e outra pragmática. Como equilibrar? Todo partido grande tem grupos distintos que pensam de forma diferente. Essa é a nossa força e a nossa fragilidade: a multiplicidade a visões diferentes, que precisam convergir na mesma direção. O que nos une é a visão conservadora de mundo e a visão liberal da economia. As declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro podem atrapalhar o Flávio? Ele sugeriu que o Pix, criticado pelos EUA, fosse tema da negociação com o presidente Donald Trump. Há forma e conteúdo. Na forma, cada um tem uma maneira de se colocar. No conteúdo, nós pensamos parecido. Não vou dizer igual, porque ninguém é igual a ninguém. Quem está no PL tem uma visão conservadora da sociedade. E o partido tem um líder, que se chama Jair Messias Bolsonaro. Que está preso, em casa, e sem poder se comunicar. Mas continua tendo interlocução conosco através do Flávio Bolsonaro, que hoje é o intérprete, quem vocaliza o que pensa o presidente Bolsonaro. E espero que em breve essa injustiça (prisão) seja corrigida. Eduardo defendeu recentemente a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) para vice de Flávio. É um bom nome? O Eduardo tem todo o direito de opinar. É evidente que nós precisamos nos debruçar sobre esse tema em algum momento. Espero que daqui a dez ou 15 dias a gente pare um pouco para ver quem vai agregar mais à chapa. Eu acho que a Júlia é uma deputada aguerrida e tem todas as condições de ser levada em consideração, assim como outras que foram aventadas. A própria Tereza Cristina (senadora pelo PP-MS), a Priscila Costa (pré-candidata ao Senado pelo Ceará) ou a Simone Marquetto (deputada pelo PP-SP). Tem várias pessoas que estão sendo colocadas. Quem o senhor defende? A minha opinião é que a gente tenha um vice que agregue e um perfil que case com o do candidato. O que a campanha vai propor na economia? Nós não vamos fazer as sandices e arbitrariedades que o governo do PT está fazendo. Evidente que nossos orçamentos vão ser equilibrados. As despesas precisam caber nas receitas. Onde vão cortar? Nós vamos fazer o que é importante para o Brasil. Não há dificuldade em se buscar recursos dentro do próprio país para que tenhamos certeza da manutenção de programas sociais eficientes. Defendo que todos sejam mantidos. E precisamos de uma reforma administrativa. O Brasil é o país dos penduricalhos e privilégios. Você só administra o Brasil se fizer uma reforma administrativa para definir o que é carreira de Estado O governo Bolsonaro, do qual o senhor participou, tentou fazer e não conseguiu. Eu posso olhar para o governo Bolsonaro e listar 500 avanços e cem defeitos. Não somos um mar de rosas. Mas a nossa preocupação é não repetir os mesmos erros e potencializar os acertos. Entre erros e acertos, somos muito superiores. O senhor apresentou uma PEC alternativa após a aprovação na Câmara do fim da escala 6x1. Qual é o objetivo da sua proposta? É uma provocação ao fato de que o governo pretende impor ao setor produtivo brasileiro uma camisa de força. O mercado de trabalho é plural e diverso. É um assunto que afeta o conjunto da sociedade brasileira e está sendo conduzido de uma forma irresponsável, leviana, eleitoreira e, sobretudo, sem nenhuma preocupação com as consequências. O que se propõe é absolutamente impossível de ser executado, a não ser que se gere um enorme passivo trabalhista com problemas judiciais. Temos um estoque de 20 milhões de trabalhadores de pequenas e microempresas, que terão muita dificuldade de se adequar a essa nova situação. Haverá aumento da informalidade e diminuição de salário, porque pessoas mais bem remuneradas serão substituídas por outras com menor remuneração. E aumento da inflação, porque os custos serão repassados para bens e serviços. O que o senhor defende então? Estamos falando de uma legislação que já existe no Brasil e em outros lugares do mundo. Sem imposição, permitindo que as pessoas façam uma opção (pelo regime de trabalho de preferência, CLT ou pagamento por horas trabalhadas). Espero que o regimento seja cumprido e possamos discutir as propostas de forma concomitante. Não tenho nenhuma dificuldade de fazer a discussão de mérito.