PUBLICIDADE Grupo, ligado ao Palestine Action, foi considerado culpado por danos criminosos no mês passado, mas juiz fez uso inédito de legislação antiterrorismo neste contexto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Protesto pró-Palestina em Londres — Foto: HENRY NICHOLLS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 12:52 Tribunal britânico aplica lei antiterrorismo a ativistas pró-Palestina Um tribunal britânico condenou quatro ativistas ligados ao Palestine Action a mais de 20 anos de prisão por invadir uma fábrica de armas israelense, aplicando pela primeira vez legislação antiterrorismo a danos criminosos. O juiz argumentou que a ação, que causou danos de £ 1 milhão, tinha intenção de influenciar o governo. A decisão gerou críticas de que a punição desproporcional ameaça o direito de protesto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um tribunal britânico sentenciou, nesta sexta-feira, um grupo de ativistas que invadiu uma fábrica de armas israelenses no país a penas que, somadas, passam de 20 anos de prisão. Os quatro foram considerados culpados por danos criminosos por um júri no mês passado, mas o juiz responsável pelo caso afirmou agora que o incidente tinha as marcas de um ato terrorista. Na decisão, o juiz Jeremy Johnson determinou que não havia justificativa para o uso de “força gratuita e violenta” na invasão à fábrica da Elbit Systems nos arredores de Bristol, em 2024, e que suas ações tiveram o claro intuito de influenciar as decisões do governo. Para ele, os atos de Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio, e Fatema Rajwani tiveram um claro componente “terrorista”. Na época, o grupo invadiu a fábrica com uma van e destruiu uma série de equipamentos, computadores e itens usados na linha de produção, causando um prejuízo estimado em £ 1 milhão. Uma segurança que tentou conter a ação foi atingida por um martelo e fraturou a coluna. Segundo os ativistas, o objetivo era destruir drones usados por Israel na guerra na Faixa de Gaza, algo que a empresa nega fabricar naquela instalação. Os quatro integram a Palestine Action, que desde julho de 2025 está na lista de organizações terroristas do governo britânico. Outras 18 pessoas foram detidas e estão sendo processadas por suspeita de terem apoiado a operação. Os réus foram considerados culpados por um júri no mês passado, mas ativistas afirmam que o magistrado não informou aos jurados que poderia incluir as acusações de terrorismo na sentença, como o fez nesta sexta-feira. Segundo juristas, foi a primeira vez que pessoas condenadas por danos criminosos recebem o rótulo de “terrorista” no Reino Unido. Do lado de fora do tribunal, 72 pessoas foram presas por ostentarem cartazes em apoio à Palestine Action. Uma manifestante segura um cartaz que diz 'Eu me oponho ao genocídio, eu apoio a Palestine Action' do lado de fora do Supremo Tribunal do Reino Unido, em Londres, em 13 de fevereiro de 2026 — Foto: BEN STANSALL / AFP De acordo com a legislação em vigor, eles serão monitorados pela polícia por até 15 anos, e precisarão notificar as autoridades cada vez que comprarem um carro, trocarem de telefone celular ou computador ou abrirem uma conta de banco ou de e-mail. — É revoltante ver quatro jovens presos por ação direta contra um fornecedor de armas para Israel — disse o líder do Partido Verde, Zack Polanski, citado pela rede BBC. — Foi um ataque verdadeiramente perigoso ao direito de protestar. Em comunicado, a ONG que batalha pela libertação de ativistas envolvidos com o ataque à fábrica da Elbit, a Filton 25, disse que seus atos “não são terrorismo, são um dever”. Kerry Moscogiuri, diretora executiva da Anistia Internacional no Reino Unido, declarou que “o dano criminoso nunca foi tratado como terrorismo no sistema de justiça do Reino Unido e é perigoso tratá-lo da mesma forma” e que “é completamente desproporcional punir manifestantes por dano criminal como se fossem terroristas, uma sentença que os acompanhará pelo resto de suas vidas.” Na segunda-feira, será julgado um recurso apresentado pelo governo britânico à decisão da Alta Corte do país, que em fevereiro considerou ilegal o banimento da Palestine Action com base na lei antiterrorismo. Desde a inclusão na lista de organizações terroristas, centenas de pessoas foram presas por expressarem apoio ao grupo, mesmo que silenciosamente.