Mais de 20 anos após sua fundação, a SpaceX fez história na sexta-feira com sua estreia recorde na bolsa de valores, coroando uma trajetória marcada por sucessos impressionantes, mas também por fracassos catastróficos e promessas não cumpridas. Seis anos após sua fundação, a SpaceX colocou seu primeiro foguete em órbita depois de várias falhas. O lançamento ocorreu em setembro de 2008 a partir de um remoto arquipélago no Oceano Pacífico. O lançamento do 12ºvoo da Starship, pela SpaceX — Foto: Reprodução/SpaceX “Arruinei os três primeiros lançamentos; os três primeiros lançamentos falharam”, lembrou Musk anos depois. “Felizmente, o quarto lançamento — que era todo o dinheiro que nos restava — funcionou. Caso contrário, teria sido o fim da SpaceX. Mas o destino esteve ao nosso favor naquele dia.” 2012: próxima parada, a Estação Espacial Internacional Após o sucesso do lançamento, a SpaceX cresceu e desenvolveu lançadores mais potentes, entre eles seu foguete principal, o Falcon 9, que atualmente é o mais utilizado do mundo. Entre suas criações estava a nave espacial Dragon, que em 2012 acoplou-se à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) como nave de carga, um feito inédito para uma empresa privada. Oito anos depois, a Dragon levou seu primeiro astronauta à ISS, superando outras empresas aeroespaciais, como a Boeing, e tornando-se o principal meio de transporte dos Estados Unidos para a estação espacial. 2018: um Tesla no espaço? Em 2015, a SpaceX conseguiu pousar com sucesso o primeiro estágio de seu foguete Falcon 9, inaugurando a era dos foguetes parcialmente reutilizáveis. Em seguida veio o Falcon Heavy, um lançador muito mais potente, equipado com dois propulsores derivados do Falcon 9. Para marcar seu primeiro voo de teste, em 2018, Musk decidiu colocar a bordo um automóvel fabricado por outra de suas empresas: um Tesla. Starman e o Tesla Roadster vermelho rumo ao espaço — Foto: AFP A imagem do Tesla vermelho ocupado por um manequim apelidado de Starman — em homenagem a David Bowie — foi vista em todo o mundo. No entanto, nem todas as promessas da SpaceX foram cumpridas. Nesse mesmo ano, Musk afirmou que enviaria, em 2023, um grupo que incluía o bilionário japonês Yusaku Maezawa para uma viagem ao redor da Lua. Isso, porém, nunca aconteceu. 2020–2023: o explosivo começo de Starbase Musk acabou priorizando o desenvolvimento do megafoguete Starship, projetado para viajar à Lua e, futuramente, a Marte. O complexo industrial da SpaceX - Starbase - e a instalação de lançamento de foguetes em Boca Chica, Texas — Foto: Bloomberg Para concluir o projeto, ele comprou vastas extensões de terra no Texas e desenvolveu um complexo industrial conhecido como Starbase, de onde lançaria uma série de protótipos da Starship. Entretanto, a maioria deles explodiu, transformando-se em espetaculares bolas de fogo. Musk justificou a “desintegração rápida não programada” desses foguetes — usando o eufemismo favorito do empresário para se referir às explosões — afirmando que elas faziam parte do processo de aprendizado. 2024: a histórica captura do “Super Heavy” Em outubro de 2024, a SpaceX conseguiu recuperar o primeiro estágio da Starship, seu propulsor “Super Heavy”, em uma manobra inédita que jamais havia sido realizada. Após o lançamento da nave, o propulsor se desacoplou e iniciou sua descida, retornando à plataforma de lançamento da SpaceX. Ali, um par de “hashis” mecânicos gigantes se estendeu para capturá-lo e detê-lo. Nave Starship, da SpaceX, é lançada acoplada ao propulsor Super Heavy — Foto: Divulgação/SpaceX O feito, embora impressionante, representa apenas a primeira etapa do plano da SpaceX para transformar a Starship em um foguete totalmente reutilizável — objetivo que a empresa continua perseguindo enquanto enfrenta diversos desafios técnicos.
Veja cinco momentos marcantes da SpaceX: do lançamento da Starship ao seu megafoguete
Trajetória da empresa fundada há 20 anos tem sucessos, fracassos e promessas não cumpridas












