Foguete da SpaceX explode durante teste no Texas; ninguém ficou feridoGerando resumoNesta sexta-feira, 12, quando as ações da SpaceX começaram a ser negociadas na maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da história, uma série de amigos, sócios e pessoas próximas de Elon Musk estava prestes a ficar fabulosamente rica.PUBLICIDADEEntre os que também devem receber uma fortuna capaz de mudar suas vidas está Justin Fishner-Wolfson, por muito tempo uma figura secundária na órbita de Musk, mas alguém cujo sustento é totalmente moldado pelo fato de ser um dos investidores mais fiéis da fabricante de foguetes.Trabalhando em escritórios discretos em São Francisco, localizados acima de uma alfaiataria, Fishner-Wolfson passou os últimos 15 anos acumulando o máximo possível de ações da SpaceX, até então de capital fechado.Ele captou recursos em diversas partes do mundo para comprar participações diretamente na empresa, inclusive oferecendo-se para adquirir ações de funcionários da SpaceX. Desde que sua empresa de investimentos, a 137 Ventures, fez o primeiro investimento na companhia, em 2011, não vendeu nenhuma ação da SpaceX, independentemente da tentação de garantir lucros antecipadamente.PublicidadePouco a pouco, a empresa de Fishner-Wolfson passou a deter mais de 1% da SpaceX, participação avaliada em cerca de US$ 20 bilhões com base na estimativa de valor de mercado de US$ 1,77 trilhão no preço de estreia das ações. Ele compra papéis da SpaceX desde quando a empresa era avaliada em apenas US$ 1 bilhão. “Isso muito provavelmente definirá minha carreira”, afirmou em entrevista nesta semana.Alguns investidores da SpaceX, que financiam a fabricante de foguetes há pelo menos tanto tempo quanto Fishner-Wolfson, já entraram para o rol das lendas do Vale do Silício. Entre eles estão um dos primeiros apoiadores da Tesla, a quem Musk presenteou com o segundo Tesla Roadster da empresa; um entusiasta da exploração espacial que comparecia às reuniões do conselho da SpaceX de pijama; e o embaixador dos Estados Unidos na Dinamarca, que cedeu a Musk o uso de sua mansão no Texas. A estadia prolongada de Musk na propriedade veio a público justamente quando ele se gabava de seu estilo de vida modesto.Fishner-Wolfson tem mantido um perfil mais discreto. Natural do Texas, ele pulou o segundo ano do ensino fundamental, o que lhe permitiu ingressar na Universidade Stanford aos 16 anos. Ele não hesita em mencionar que foi rejeitado por Harvard e faz questão de se diferenciar dos estereótipos do Vale do Silício. “Eu praticamente nunca usei drogas”, disse espontaneamente.A empresa de Justin Fishner-Wolfson detém agora mais de 1% da SpaceX Foto: Aaron Wojack/The New York TimesSua ligação com a SpaceX começou em 2008, quando a empresa parecia estar em algum ponto entre um sonho e uma piada. Aos 26 anos e o mais novo dos cinco funcionários de investimento da gestora de capital de risco Founders Fund, de Peter Thiel, ele recebeu a tarefa de acompanhar o novo investimento do fundo na SpaceX. A SpaceX era tão desconhecida que a Founders Fund mantinha desenhos feitos à mão de futuros protótipos de foguetes nos quadros brancos do escritório.PublicidadeNaquele agosto, Fishner-Wolfson voou para Los Angeles e ficou na sala de controle da sede da empresa, ao lado da presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, assistindo à transmissão ao vivo, a partir das Ilhas Marshall, da terceira tentativa de lançamento de um foguete reutilizável. O veículo conseguiu voar por apenas dois minutos antes de cair em chamas.“O que vocês vão fazer agora?”, lembra ter perguntado a Gwynne. Seus sócios acabavam de investir US$ 20 milhões na SpaceX, cerca de 10% do fundo mais recente da gestora. Ele precisava de uma explicação sobre o que havia dado errado no lançamento.Ela permaneceu calma, lembrou ele. Talvez tivesse sido um problema de sincronização de software, ela sugeriu. Eles teriam que construir outro foguete e tentar novamente. “É só isso?”, respondeu Fishner-Wolfson. Ele voltou para São Francisco sabendo pouco mais do que quando partiu. Mas seus chefes na Founders Fund não se abalaram e mantiveram a aposta na SpaceX.O investimento de US$ 20 milhões vale agora bilhões, segundo três investidores do fundo. “Ninguém poderia ter previsto isso há 20 anos”, afirmou Fishner-Wolfson. A SpaceX não respondeu a pedidos de comentário.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADETrês anos após testemunhar o lançamento fracassado, Fishner-Wolfson seguiu carreira própria e fundou a 137 Ventures, nome inspirado no assento que seu avô ocupava na Bolsa de Valores de Nova York. Ele investiu em outras startups, como a Uber, mas a SpaceX era, de longe, seu principal foco. Os escritórios da 137 Ventures abrigam uma espécie de santuário dedicado à empresa. Na entrada, em vez de uma recepcionista, há um enorme motor usado de foguete da SpaceX. Foi necessário usar um guindaste para quebrar uma janela e colocá-lo dentro do prédio.Leia tambémElon Musk se torna o primeiro trilionário da história após estreia da SpaceX na BolsaNasa e SpaceX lançam foguete com 4 astronautas para Estação Espacial InternacionalSpaceX lança Starship, maior nave do mundo, pela 12ª vezHouve momentos de dúvida. Há cerca de dez anos, quando a SpaceX começou a captar recursos para o que parecia ser um projeto paralelo extravagante - o serviço de internet via satélite Starlink -, a gestora, que tem 25 funcionários, debateu se deveria continuar investindo. “Havia muito mais risco envolvido”, disse Alex Jacobson, sócio da 137 Ventures.Fishner-Wolfson, hoje com 44 anos, fala com entusiasmo sobre os negócios da SpaceX, mas demonstra reserva ao tratar de Musk, que continuará controlando ampla maioria das ações com direito a voto mesmo após a abertura de capital. Questionado se alguma vez deu um feedback duro a Musk, ficou em silêncio por 19 segundos antes de responder afirmativamente, sem fornecer detalhes. Publicidade“Você pode dizer o que quiser, e então ele vai mudar de ideia ou não”, afirmou. “Normalmente é uma conversa curta.” Fishner-Wolfson disse ter aprendido a ignorar as manchetes sobre a vida pessoal e política de Musk. “Quem quer que Elon esteja namorando em um determinado momento não é tão relevante para os negócios da SpaceX”, afirmou.A próxima decisão de Fishner-Wolfson - talvez a mais importante até agora - será definir o que fazer com sua participação na SpaceX após a abertura de capital. Ele se prepara para esse momento há anos. Em 2018, mudou-se para Las Vegas, em parte para estabelecer residência em um estado com baixa tributação, segundo um amigo que conversou com ele sobre o assunto. Ele afirma que também queria ficar mais perto dos pais.Mas, mesmo após passar mais tempo do que quase qualquer outra pessoa com os principais executivos da SpaceX - e até receber alguns deles em seu casamento -, nem Fishner-Wolfson consegue prever se a avaliação bilionária da empresa se sustentará quando as ações começarem a ser negociadas publicamente. A SpaceX tem registrado prejuízos de bilhões de dólares, e alguns de seus negócios centrais, como inteligência artificial, estão atrás dos concorrentes.Ele adotou uma espécie de postura zen. “Nesta sexta-feira, o valor pode quadruplicar ou cair 50%”, disse. Por enquanto, a decisão de vender ou não suas ações nem sequer está em suas mãos. Como outros investidores anteriores ao IPO, Fishner-Wolfson e sua gestora estão proibidos pela SpaceX de começar a vender ações até logo após a divulgação do primeiro balanço trimestral da empresa como companhia aberta, prevista para agosto. Além disso, não poderão se desfazer de toda a participação antes de seis meses após a estreia na bolsa.PublicidadeEle afirmou que, assim que possível, distribuiria aos investidores da gestora a maior parte de suas ações da SpaceX, o que permitiria que cada um decida se prefere vender ou continuar investido. Ele disse que, pessoalmente, não tem pressa para vender - e esperava que a SpaceX pudesse valer dez vezes o seu preço de oferta em breve. “Ainda é uma empresa na qual eu acredito”, afirmou Fishner-Wolfson.Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.