Plano prevê a entrega de subsidiárias norte-americanas do grupo, como a Ambipar Response Foto: Aline Bronzati/Estadão - 09/03/2023Um grupo de bancos tenta ingressar no processo de recuperação judicial da Ambipar que tramita na Justiça dos Estados Unidos. O objetivo, segundo fontes, é barrar o plano de reestruturação apresentado pela empresa, que foi desenhado com os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior (bondholders), prevendo a entrega de subsidiárias americanas do grupo, entre elas a Ambipar Response. Os bondholders têm mais de 50% da dívida e formam maioria para a aprovação na assembleia de credores, que deve ser marcada em um mês.PUBLICIDADEUma audiência marcada para 22 de junho, em Houston, no Texas, irá discutir o pedido dos credores financeiros de ingresso no Chapter 11, processo similar à recuperação judicial brasileira. A Coluna apurou que a ação envolve os bancos Bradesco, Sumitomo e Banco do Brasil. A Caixa Econômica Federal também fez o mesmo pedido, mas como detentora de títulos de dívida (debêntures) do grupo. A Caixa foi uma das principais compradoras de duas emissões de debêntures feitas pelo grupo Ambipar, em 2022 e 2024, que somam R$ 1,75 bilhão, de um total de R$ 3 bilhões.Segundo uma fonte próxima à Ambipar, o acordo para um plano de reestruturação financeira está praticamente finalizado e deve ser assinado na segunda-feira, 15, pelos bondholders. Como a Coluna antecipou, a empresa de gestão ambiental tem priorizado os credores externos, uma vez que eles detêm a maior parte da dívida.Instituições querem devolução de prazoNa ação levada à Corte dos EUA, os bancos pedem para ingressar no Chapter 11 mesmo após ter expirado a data limite de 18 de fevereiro, alegando que a Ambipar não os notificou sobre o processo nos EUA ou sobre o prazo para ingresso - o que, segundo os bancos, é exigência prevista na legislação americana.Os credores financeiros buscam garantir o direito de votar no plano de recuperação da devedora nos EUA e participar das distribuições de seus ativos. Eles argumentam que, devido à consolidação substancial - que agrupa as dívidas de todas as empresas do grupo no processo de recuperação judicial no Brasil -, eles têm direito também aos créditos sujeitos ao Chapter 11 nos EUA.PublicidadeA estratégia da Ambipar de priorizar os credores externos acaba por isolar os outros credores, que agora estão reagindo. Os bancos têm mantido uma postura bastante beligerante contra a empresa, questionando em várias instâncias na Justiça brasileira a conduta da companhia que levou ao pedido de recuperação judicial.Dívida é de R$ 10,5 bilhõesA Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado, com um passivo de R$ 10,5 bilhões. Os detentores de títulos emitidos no exterior têm a maior parte dos créditos, de cerca de R$ 5,4 bilhões. Os investidores de debêntures têm R$ 3 bilhões e um grupo de bancos, R$ 2 bilhões. O BTG Pactual já teria comprado R$ 800 milhões em bonds (títulos de dívida externa) e no mercado de dívida local, afirmaram as fontes.Procurados, o Bradesco e o Banco do Brasil optaram por não responder. Ambipar não quis comentar, assim como o Sumitomo.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 11/06/2026, às 16:21A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Bancos tentam barrar nos EUA plano da Ambipar que prioriza credor externo
Empresa passa por processo de recuperação judicial também no país norte-americano
Ambipar busca Chapter 11 cedendo subsidiárias americanas; bancos (Bradesco, BB, Sumitomo) contestam para garantir voto em reestruturação. Revela riscos de governance em cross-border deals onde credores externos dominam; stakeholders locais ficam isolados, ameaçando continuidade operacional.











