Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo à Presidência da República, acusou hoje o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) de recusar a instalação de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master por ter envolvimento no escândalo. Zema fez a acusação após a revista Veja publicar que Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. "Depois dessa reportagem da Veja, a gente sabe o verdadeiro motivo de Alcolumbre se recusar a pautar a CPMI do Banco Master. Ele teria recebido US$ 30 milhões daquele banqueiro bandido. Tem mais de 280 assinaturas pedindo a CPMI. Mesmo assim, ele, presidente do Senado, se recusa a instalar a investigação. Agora nós sabemos o porquê", disse em um vídeo publicado na rede social X. Alcolumbre emitiu nota, por meio da Presidência do Senado, afirmando que jamais recebeu valores de Daniel Vorcaro. "Seja no Brasil ou no exterior", disse. Ele afirmou que as informações publicadas pela Veja "são absolutamente falsas" e que vai adotar "todas as medidas judiciais cabíveis", nas esferas cível e criminal", contra os responsáveis pelas acusações. Segundo a publicação, a informação sobre Alcolumbre constaria na segunda proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro. O senador teria recebido US$ 30 milhões - o que equivalente a cerca de R$ 155 milhões - pelo apoio dado a uma demanda de interesse do Banco Master. O depósito teria sido feito em uma conta secreta no exterior em transação operada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal (PF) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (11) que rejeitou essa segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Na avaliação da corporação, o material entregue pelo ex-banqueiro não apresentou fatos novos capazes de ampliar as investigações ou abrir novas frentes de apuração. Investigadores também demonstraram insatisfação com a postura de Vorcaro nas negociações, por entenderem que ele ainda não teria admitido integralmente eventuais crimes relacionados às suas relações com autoridades. CPMI No final de maio, durante uma sessão conjunta do Congresso Nacional, parlamentares governistas e da oposição cobraram de Alcolumbre a leitura de um requerimento para a instalação de uma CPMI destinada a investigar o caso Banco Master. O senador rejeitou os pedidos e afirmou que a leitura do requerimento é um “ato discricionário” da Presidência do Congresso. O regimento comum do Congresso determina que, após um pedido de CPMI reunir o número mínimo de assinaturas — um terço dos deputados e um terço dos senadores —, o requerimento deve ser lido em sessão conjunta. Atualmente, há três pedidos protocolados para investigar o caso Banco Master. "Com certeza tem muito, mas muito mais gente que esse bandido banqueiro precisa delatar", disse Zema no vídeo publicado nesta sexta-feira. O ex-governador mineiro também declarou que “não podemos esquecer que o preço para calar um certo ministro foi 129 milhões de reais”. A declaração faz referência ao contrato firmado entre Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e o Banco Master. "Chega de intocáveis", disse, fazendo referência à série de vídeos que tem sido por ele publicada nas redes sociais, em que faz críticas, especialmente, a ministros do STF. Zema já responde a um processo movido pelo decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes. Ele foi notificado no começo de junho pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão, sobre uma denúncia por calúnia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após representação de Gilmar. A denúncia teve origem na série “Os Intocáveis”. Nas gravações, bonecos de fantoche ironizam Mendes e o ministro Dias Toffoli, sugerindo troca de vantagens com Vorcaro.