Uma fonte próxima à equipe de negociação do Irã negou nesta sexta-feira notícias divulgadas pela imprensa ocidental de que Teerã assinaria um acordo com os Estados Unidos no domingo, em Genebra. A informação foi divulgada pelas agências estatais iranianas Fars e Noornews. Trump cancelou novos ataques que havia anunciado contra o Irã na quinta-feira porque o acordo, segundo ele, já estaria finalizado e poderia ser assinado no final de semana em algum lugar da Europa. “Acabamos de chegar a um ótimo acordo sobre a guerra com o Irã”, disse ele a jornalista na Casa Branca. "O estreito será oficialmente reaberto assim que assinarmos o acordo, o que pode acontecer em breve, muito em breve, talvez neste final de semana na Europa", afirmou ele. Uma fonte ocidental disse à Reuters que a redação do memorando ainda estava sendo finalizada e que o Irã mantinha sua posição de que o acordo também deve pôr fim aos combates no Líbano, onde Israel vem lutando contra a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã. O objetivo seria finalizar a redação até sábado para que o acordo possa ser assinado pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf. Nenhum local havia sido definido, mas Genebra estava se destacando como o mais provável. Ontem, a imprensa iraniana informou, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, que a maior parte do acordo havia sido finalizada, mas que uma decisão ainda não foi tomada. "Não chegamos a uma conclusão definitiva sobre essa questão", disse Baghaei. "Trata-se de um assunto muito importante que atualmente está sendo analisado pelas instâncias decisórias competentes." Segundo a Bloomberg, as negociações entre os dois países estavam avançando às margens das preparações para a cúpula do G7, que será realizada em Evian, nos Alpes franceses. O encontro começará na segunda-feira e se estende até quarta-feira. Uma autoridade do alto escalão iraniano afirmou que um acordo com os EUA é provável, segundo uma fonte do G7 ouvida pela Bloomberg. No entanto, outra autoridade ressaltou que Teerã não confirmou estar pronto para uma cerimônia de assinatura e que as negociações desde o início da guerra têm sido lentas. Os termos do acordo, conforme autoridades iranianas, parecem oferecer a Teerã grande parte do que o país exigiu até agora, com Trump aparentemente conquistando pouco do que buscava, além da reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã fechou após ele ter ordenado ataques em fevereiro. Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters na sexta-feira que o rascunho suspenderia as sanções sobre o petróleo do Irã, descongelaria bilhões de dólares de seus fundos e exigiria a cessação das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. As questões nucleares seriam deixadas de lado para negociações posteriores. Washington quer um acordo para garantir que o Irã nunca desenvolva uma arma nuclear. Teerã diz que seu programa atômico tem fins pacíficos. A suspensão das sanções, o descongelamento dos ativos iranianos e a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano são exigências essenciais do Irã. A fonte não mencionou o que o Irã poderia oferecer em troca. Não houve resposta imediata dos Estados Unidos. A agência de notícias iraniana Mehr informou que os termos também incluíam outras concessões importantes dos EUA, incluindo o compromisso de retirar suas forças da região do Irã e apresentar um plano para a reconstrução da economia iraniana devastada. O anúncio de Trump sobre um acordo — horas depois de ele ter ameaçado novamente atacar o Irã “com muita força” na noite de quinta-feira — levou a uma alta nas bolsas globais e a uma queda nos preços do petróleo na sexta-feira. Ao longo da guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, Trump fez declarações semelhantes de que um acordo estava próximo, mas nenhum acordo chegou a ser fechado. Mas os mercados se tranquilizaram com o fato de que suas mais recentes palavras sinalizaram o fim de alguns dias particularmente tensos de escalada, que começaram com Irã e Israel trocando disparos pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril e continuaram com dois dias de ataques dos EUA ao Irã e respostas iranianas contra bases regionais norte-americanas. Questionado se o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, havia aprovado o acordo, Trump declarou: “Entendo que a resposta é sim.” Homem caminha perto de mural antiamericano em um edifício em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA