Donald Trump voltou a afirmar que o governo dos Estados Unidos assinará um acordo com o Irã neste domingo (14) para acabar com a guerra no Oriente Médio, e que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente. Mas os iranianos parecem dispostos a colocar água no chope na festa de aniversário do presidente americano, que completa 80 anos hoje. A agência de notícias iraniana Fars informou neste domingo que Teerã ainda não tomou uma decisão final sobre a assinatura do memorando em discussão com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Golfo. “A República Islâmica do Irã ainda não tomou nem anunciou sua decisão final em relação ao memorando de entendimento proposto durante as negociações”, informou a Fars, que é próxima de círculos conservadores iranianos, citando “uma fonte bem informada próxima à equipe negociadora iraniana”. Um assessor do ministro das Relações Exteriores do Catar chegou à capital iraniana neste domingo, de acordo com a agência de notícias Tasnim para “analisar os últimos acontecimentos relacionados ao processo diplomático”. Linha-dura não aprova texto Após uma semana com novos ataques entre Irã Estados Unidos e Israel, que provocaram o temor de uma nova escalada regional, Washington e Teerã anunciaram avanços no texto do memorando e que um acordo estaria próximo. Na sexta e no sábado, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador no conflito, afirmou que o memorando seria assinado por via eletrônica nas próximas 24 horas e que os detalhes seriam discutidos na próxima semana. Teerã afirmou que nada seria assinado até domingo, e no sábado foram postados vídeos em que dezenas de pessoas protestam contra o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixando claro que a linha-dura do governo ainda não estava contente com os termos do memorando. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos atacaram o Irã e mataram o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Teerã respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington e com o fechamento do Estreito de Ormuz. Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra com os ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva militar que já provocou mais de 3.700 mortes, segundo o governo libanês. Líbano e projeto nuclear nas negociações Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maior parte dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel, nem paralisou a guerra no Líbano — o que seria uma das exigências de Teerã. As negociações permanecem estagnadas em vários pontos: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz (crucial para o comércio mundial de combustíveis e fertilizantes agrícolas), o fim das sanções ao Irã e a inclusão do Líbano no acordo de paz. Segundo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o texto que está sendo negociado prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz, controlado por Teerã desde o início da guerra. A agência iraniana Mehr publicou na sexta-feira um texto apresentado como um rascunho de protocolo em 14 pontos, que inclui o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio rápido de 24 bilhões de dólares de fundos iranianos congelados no exterior, uma demanda crucial do Irã, que tem sua economia asfixiada pelas sanções. Sobre o urânio enriquecido, outro ponto das negociações, Trump afirma que os Estados Unidos vão recuperar o material "no momento oportuno". Até agora, Washington afirmava que qualquer acordo deveria conduzir ao "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e permitir recuperar o material para destruí-lo e retirá-lo do país. Sobre o Líbano, um funcionário de alto escalão do governo americano indicou que o país está, sim, incluído no acordo em discussão, como exigia Teerã.