Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a jornalistas na Casa Branca ter fechado um "excelente acordo" com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro. As declarações do mandatário americano, porém, estão longe de ser novidade. Levantamento da CNN mostrou que Trump disse pelo menos 39 vezes que um acordo estava próximo. A análise da emissora inclui declarações do republicano em postagens nas redes sociais, aparições públicas e até telefonemas a veículos de comunicação, nas quais ele afirmou que um acordo era iminente ou que Teerã estaria desesperado para concluir as negociações. Algumas das falas, inclusive, foram pronunciadas antes do cessar-fogo entre EUA e Irã, em vigor desde o início de abril. Segundo a emissora, Trump começou a falar publicamente sobre um acordo ainda em março. Em conversa com jornalistas perto do Air Force One, por exemplo, o presidente afirmou que havia “grandes pontos de concordância” entre as partes e sugeriu que as negociações estavam avançadas, embora o Irã negasse, à época, que qualquer diálogo estivesse em andamento. Já em 6 de abril, um dia antes do anúncio da trégua, Trump afirmou que as partes haviam estado “muito perto de um acordo” antes de um revés. Em entrevista à Fox em 15 de abril, o presidente reiterou que achava que as negociações estavam “muito perto do fim”. “Acho que eles [autoridades iranianas] querem muito fazer um acordo”. Posteriormente, Trump garantiu que tudo estava resolvido. “Parece muito bom que vamos fazer um acordo com o Irã, e será um bom acordo”, disse em 16 de abril. No dia seguinte, o mandatário chegou a fazer três declarações separadas afirmando que o Irã havia “concordado com tudo”, que “acho que teremos um acordo no próximo dia ou dois” e que “não há muitas diferenças significativas”. Embora tenha moderado as previsões por algum tempo, antes de anunciar em 18 de maio que estava adiando ataques militares por “dois ou três dias”, a pedido de países do Oriente Médio, e ter reconhecido que houve “momentos em que pensamos que estávamos praticamente chegando a um acordo e não deu certo”, Trump alegou, em 19 de maio, que a guerra iria terminar “muito rapidamente”. Mesmo sem avanços concretos para um tratado abrangente, Trump manteve o discurso de que um acordo era iminente. Entre o fim de maio e esta semana, o presidente afirmou diversas vezes que as negociações estavam próximas da conclusão, que Teerã estava disposto a fazer concessões e que um entendimento poderia ser alcançado em poucos dias. Autoridades ouvidas pela agência Bloomberg nesta sexta-feira reforçaram o otimismo de Trump ao dizerem que a assinatura do pacto poderia ocorrer já no domingo, em Genebra, na Suíça. A imprensa estatal iraniana afirmou, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, que a maior parte do acordo havia sido finalizada, mas enfatizou que uma decisão ainda não foi tomada. "Não chegamos a uma conclusão definitiva sobre essa questão", disse Baghaei. "Trata-se de um assunto muito importante que atualmente está sendo analisado pelas instâncias decisórias competentes." Posteriormente, uma autoridade iraniana próxima às negociações disse à agência iraniana semioficial Fars que os relatos sobre a assinatura de um acordo com os Estados Unidos no domingo, em Genebra, são falsos.