A Fifa informou um público de 44.985 pessoas para a partida de quinta-feira entre Coreia do Sul e República Tcheca pela Copa do Mundo, em Guadalajara, mas grandes áreas de assentos vazios no estádio reacenderam preocupações sobre os preços dos ingressos e a demanda pelo torneio ampliado. Enquanto mais de 80 mil pessoas lotaram o Estádio Azteca para assistir ao jogo de abertura entre os coanfitriões México e África do Sul, a imagem de fileiras desocupadas no estádio de Guadalajara, com capacidade para 46 mil espectadores e localizado em uma cidade de forte tradição futebolística, intensificou as críticas à estratégia comercial da Fifa na primeira Copa do Mundo com 48 seleções. Torcedores presentes no estádio atribuíram as cadeiras vazias aos altos preços dos ingressos e criticaram o modelo de precificação da entidade. “Os números oficiais de público refletem a quantidade de ingressos escaneados e de espectadores presentes dentro do perímetro do estádio, e não avaliações visuais da ocupação dos assentos em um determinado momento da partida”, disse a Fifa em comunicado enviado à Reuters. A Fifa também forneceu à Reuters uma foto mostrando um estádio praticamente cheio e explicou as razões para a discrepância entre os números oficiais de público e a impressão visual nas arquibancadas. “A Fifa trabalha em estreita colaboração com as autoridades dos estádios e as equipes de bilheteria para garantir que todos os números divulgados sejam baseados em dados operacionais verificados”, afirmou a entidade máxima do futebol mundial. “Observe que, durante a partida da noite passada em Guadalajara, vários torcedores com ingresso puderam ser vistos circulando ou permanecendo nas áreas de convivência do estádio, em vez de permanecerem em seus assentos designados durante todo o jogo.” A estratégia de preços da Fifa Como já era esperado que o jogo do México no Azteca tivesse lotação máxima, a partida entre Coreia do Sul e República Tcheca — seleções que ocupam, respectivamente, as posições 25 e 37 do ranking mundial — no segundo menor estádio do torneio representou o primeiro teste real da estratégia de preços da Fifa. A torcida foi dominada por mexicanos vestindo as cores da seleção anfitriã, ao lado de uma presença perceptível de sul-coreanos, mas com poucos torcedores tchecos. A República Tcheca garantiu sua classificação apenas no fim de março e enfrenta uma logística de viagem exigente durante a fase de grupos. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu na quarta-feira a política de preços dos ingressos após críticas de torcedores que argumentaram que o custo para assistir aos jogos havia se tornado proibitivo. Segundo ele, os preços estão em linha com os praticados em outros grandes eventos esportivos. A Fifa já vendeu mais de 6 milhões de ingressos para o torneio e anteriormente destacou o forte interesse em toda a América. Infantino afirmou que a demanda superou as expectativas em “dez vezes ou mais”. No entanto, grupos como a Football Supporters Europe (FSE) alertaram que os preços “extorsivos” excluiriam os torcedores comuns. Segundo a FSE, os ingressos desta Copa ficaram cinco vezes mais caros do que os da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Em maio, os procuradores-gerais de New York e New Jersey informaram ter emitido uma intimação à Fifasobre suas práticas de venda de ingressos, após reportagens da imprensa levantarem preocupações sobre a distribuição de assentos para a Copa do Mundo. Não é uma tendência nova Embora a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, tenha atraído quase 3,2 milhões de espectadores, segundo a ESPN, várias partidas da fase de grupos apresentaram setores visivelmente vazios. Um padrão semelhante surgiu no Brasil em 2014, quando a Fifa atribuiu os espaços vazios nas arquibancadas durante os primeiros jogos a torcedores que compraram ingressos, mas não compareceram. Setores vazios também foram observados na Copa de 2018, na Rússia — especialmente em Ecaterimburgo — e na Copa do Mundo de 2022, no Qatar, notadamente durante a partida de abertura da seleção anfitriã. Partida entre Coreia do Sul e Tchéquia teve espaços vazios nas arquibancadas — Foto: Paul Childs/Reuters
Cadeiras vazias em jogo da Copa reacendem preocupações sobre preço dos ingressos
Fifa defende que preços cobrados estão em linha com outros grandes eventos esportivos











