Ferramenta interativa mostra ganhos com salários, bônus e penduricalhos. Procuradores e juízes lideram todas as unidades da federação. Exceção é Sergipe, onde titular de cartório ganha mais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ferramenta interativa mostra ganhos com salários, bônus e penduricalhos — Foto: Editoria de Arte/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 07:06 Judiciário e MP lideram supersalários no Brasil, revela estudo As carreiras do Judiciário e do Ministério Público lideram os maiores vencimentos no Brasil, segundo ferramenta do GLOBO baseada no IR 2025. Com exceção de Sergipe, onde titulares de cartório ganham mais, juízes e procuradores têm rendas médias de R$ 40 mil a R$ 45 mil. O levantamento destaca os supersalários e a discussão sobre penduricalhos, com decisões do STF limitando gratificações e promovendo transparência nos contracheques. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No centro das discussões dos chamados penduricalhos, servidores de carreira do Judiciário e Ministério Público (MP) têm os maiores rendimentos mensais em todas os estados do país, à exceção do Sergipe. É o que aponta a ferramenta lançada pelo GLOBO que permite consultar salários médios de cada profissão no Brasil a partir de dados da declaração do Imposto de Renda 2025. Confira abaixo a situação em cada estado: Membros do Judiciário, Tribunal de Contas, e Ministério Público tem a maior renda média em 26 das 27 unidades federativas, que varia entre cerca de R$ 40 mil a R$ 45 mil. Entre eles, a maior renda média é nos servidores do Judiciário do Amapá, de R$ 45.694,23. Esta média salarial só é superada no Sergipe, em que titulares de cartório receberam cerca de R$ 53,5 mil por mês em 2026. Os dados foram extraídos do levantamento “Grandes Números do IRPF 2025”, referente ao ano-calendário de 2024, disponibilizado pela Receita Federal. O recorte por profissão e estado foi elaborado pelo assistente de pesquisa Eliel Pelegrino, integrante da equipe do professor Marcio Couto, superintendente de Pesquisa da FGV Energia. Os dados incluem todos os vencimentos dos profissionais, e não só os salários. Ou seja, são computados também bônus, participação nos lucros e, no caso do setor público, verbas extras como os mais diferentes tipos de penduricalhos. Renda obtida via PJ não entra no cálculo Não entram neste levantamento a renda obtida por trabalhadores que atuam como pessoa jurídica, ou seja, têm CNPJ — prática comum em carreiras mais bem remuneradas do setor privado, a chamada “pejotização”, e muito usada também por profissionais liberais, como advogados, médicos e dentistas. Outros tipos de rendimento não relacionados ao trabalho, como aluguel ou de aplicações financeiras, não foram computados nessa comparação. Além disso, o levantamento não engloba trabalhadores isentos da obrigatoriedade de declarar Imposto de Renda, como parte daqueles com renda abaixo do limite tributável. Supersalários Os dados ajudam a ilustrar a discussão que acontece em torno dos supersalários do serviço público no Judiciário. Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as indenizações adicionais, gratificações e auxílios deverão ser limitados a 35% do valor do salário dos integrantes da Corte, que tem o teto como referência e é equivalente a R$ 46,3 mil. Além disso, foi permitido o adicional por tempo de serviço de 5% do salário cada cinco anos trabalhados, até o limite de 35%. Nos últimos meses, decisões assinadas por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, a Corte proibiram ainda revisões, reclassificações e reestruturações de cargos, funções e comarcas que possam gerar aumento indireto de remuneração. Os ministros também proibiram pagamentos registrados em mais de um contracheque e determinaram que os valores pagos sejam divulgados de forma transparente nos portais públicos. A determinação estabelece que em um único contracheque devem constar, de forma transparente e fiel, o valor depositado nas contas bancárias. Os conselhos nacionais de Justiça (CNJ) e do MP (CNMP) aprovaram ainda a instituição de um contracheque único para essas carreiras. Só no ano passado, o custo dos penduricalhos aumentou em R$ 3 bilhões em relação a 2024. O gasto com indenizações e direitos eventuais pagos a magistrados que receberam acima do teto salarial saltou de R$ 7,2 bilhões em 2024 para R$ 10,3 bilhões em 2025, de acordo com dados disponibilizados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e analisados pelo GLOBO. Foi um aumento de 43%, já considerando a inflação.