Menos de um mês após ser lançado, o Desenrola Fies, criado para a renegociação de débitos do financiamento estudantil, já firmou mais de 96 mil contratos para quitar as dívidas. O alto volume de adesões ampliou a pressão sobre o governo Lula (PT) por mudanças no formato de cobrança do programa.

Não é a primeira vez que a medida é adotada, o que reforçou as críticas à renegociação. Buscando a reeleição, em 2022, Jair Bolsonaro (PL) refinanciou as dívidas do Fies. No ano seguinte, Lula lançou nova rodada para quitar os débitos.

A recorrência da medida em um período curto de tempo tem feito com que estudantes que pagam as parcelas em dia se sintam punidos. Eles pressionam o governo para também receberem melhores condições para abater o financiamento.

Para entidades do setor privado do ensino superior, o elevado número de estudantes inadimplentes que se avoluma a cada nova rodada de renegociação é um indicativo de que o Fies precisa ser reestruturado. Elas defendem a necessidade de um novo modelo para o pagamento do débito.

O novo Desenrola Fies tem como alvo os cerca de 1 milhão de estudantes que fizeram contrato do Fies até 2017 para cursar uma graduação e estão em atraso com o pagamento há mais de 90 dias. A medida retira da dívida todos os juros e multas devidos e prevê ainda 12% de desconto no montante do financiamento para quem pagar à vista. Há ainda a possibilidade de parcelamento em até 150 meses.