Não parece ortodoxo classificar um filme ou uma série como "terror reconfortante". Caso a categoria exista, "O Segredo de Widow’s Bay", prestes a concluir sua temporada de estreia na Apple TV e com a próxima confirmada nesta quinta (11), é um belíssimo exemplar.
A série se passa em uma ilha da costa nordeste americana, na região conhecida como Nova Inglaterra, onde os EUA nasceram e cenário preferencial de Stephen King. Não se sabe a localização exata (afinal, é um lugar fictício), mas sabe-se que seus habitantes são assombrados por lendas, tragédias e uma neblina tétrica.
O prefeito da cidade-ilha, porém, não vê nada disso. Ele vislumbra um tremendo potencial turístico a explorar e faz tudo para transformar a comunidade acanhada em uma Martha’s Vineyard, a ilha celebrizada pela casa de veraneio da família Kennedy.
É claro que o plano não vai funcionar, não até que se desenterrem todos os segredos escondidos ali —às vezes, literalmente.
O que difere "Widow’s Bay" de outras obras que uniram terror e humor com sucesso é seu olhar reverente à história do gênero e uma ironia inclemente —e também carinhosa— com a vida em certos rincões mais provincianos dos EUA (ver "Schitt’s Creek").















