Os escritores venezuelanos Arianna de Sousa-García, María Elena Morán e Rodrigo Blanco Calderón não visitam seu próprio país há anos.
Nascidos na década de 1980, viveram na Venezuela durante os 14 anos de governo Hugo Chávez. Emigraram em diferentes momentos do primeiro mandato de Nicolás Maduro, reeleito em 2018 e 2024 em pleitos controversos.
No entanto, em seus livros mais recentes, os três reelaboram ficcionalmente as vivências próprias sob o regime bolivariano, incorporando também relatos obtidos de familiares e conhecidos que permaneceram no país.
Em Atrás Fica a Terra, romance de estreia da jornalista Arianna, lançado este ano no Brasil, a narradora relata os desafios enfrentados cotidianamente pelos venezuelanos nas últimas duas décadas e meia enquanto se dirige ao filho para explicar-lhe a condição de exílio voluntário em que se encontram.
Recupera, em um exercício de memória, lembranças da infância entre os anos 1990 e 2000. Também escreve sobre o clima de esperança que marcou a eleição de Chávez, militar de tendência progressista, a adesão incondicional do próprio pai aos ideais da chamada Revolução Bolivariana e a gradual debacle do projeto de governo, que culminou numa crise sem precedentes.









