A Proposta de Emenda à Constituição 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6×1, enfrenta forte resistência para avançar no Senado, a começar pelos obstáculos criados pelo chefe da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil). Na terça-feira 9, estava prevista uma reunião com o senador Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, para discutir a escolha do relator e o calendário de tramitação, mas Alcolumbre desmarcou o encontro de última hora e condicionou a liberação da pauta, segundo relataram interlocutores à imprensa, a uma reunião com o presidente Lula para aparar arestas após a rumorosa rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O movimento teve as inconfundíveis digitais do parlamentar amapaense na articulação.

A proposta pelo fim da escala 6×1 chegou ao Senado em 28 de maio, um dia após a Câmara dos Deputados aprová-la por maioria esmagadora – 472 votos a favor e 22 contra –, e na mesma data em que a oposição protocolou uma PEC alternativa (12/2026). De autoria de Rogério Marinho (PL), o texto transfere ao trabalhador a prerrogativa de negociar diretamente com o empregador sua jornada, permitindo a escolha entre o modelo atual – de 44 horas semanais, distribuídas em seis dias de trabalho e um de descanso – e um regime flexível baseado na contabilização de horas em serviço. Uma espécie de reedição da máxima de Giuseppe di Lampedusa­: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.