Os Estados Unidos acusaram a Guarda Revolucionária do Irã de ter abatido, na noite de segunda-feira 8, um helicóptero de ataque Apache, com dois tripulantes a bordo. A aeronave foi atingida por um drone iraniano quando patrulhava o Estreito de Ormuz. O piloto e o copiloto foram resgatados com vida por uma embarcação norte-americana não tripulada, num dos mais graves incidentes desde a decretação de um precário cessar-fogo entre os dois países, há dois meses. Na véspera, mísseis iranianos tinham sido disparados mais uma vez contra Israel. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ter interceptado os ataques dirigidos contra duas de suas bases militares. A ação do Irã foi um claro aviso de que qualquer bombardeio israelense sobre Beirute e arredores, no vizinho Líbano, terá resposta parecida daqui em diante.

Os dois acontecimentos recentes mostram a volatilidade do cessar-fogo que Donald Trump insiste em dizer que vigora em uma região que, na verdade, segue conflagrada. Desde os ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro, é como se Trump e Netanyahu tivessem aberto uma caixa da qual forças incontroláveis saíram, e para a qual não querem voltar. Essas forças estão ligadas aos interesses de um regime iraniano que, desde fevereiro, passou a viver sob ameaça existencial iminente. Se forem derrotados agora, os clérigos que governam o Irã desde 1979, assim como os comandantes da Guarda Revolucionária, simplesmente deixarão de existir. E a única forma de conter esse risco, acreditam, é acelerar um programa atômico que tanto os Estados Unidos quanto Israel consideram inaceitável.