Declaração ocorre após ameaças sobre tomar Ilha de Kharg durante a noite desta quinta-feira e controlar setor petrolífero iraniano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, fala no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, após ameaçar ampliar os ataques contra o Irã — Foto: KEN CEDENO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 15:14 Trump Suspende Ataques ao Irã e Sinaliza Possível Acordo Diplomático Donald Trump cancelou ataques planejados contra o Irã, sugerindo um possível acordo com Teerã. As ameaças incluíam tomar a Ilha de Kharg e controlar o setor petrolífero iraniano. A tensão entre EUA e Irã se intensificou após retaliações mútuas e críticas internacionais, com apelos por contenção. Trump destacou negociações com apoio de altos escalões iranianos e aliados do Golfo, Turquia e Israel. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que estava cancelando os ataques planejados contra o Irã naquele mesmo dia e levantou a possibilidade de um acordo com "os mais altos escalões" em Teerã. A declaração ocorre após ameaças sobre um ataque nesta noite para "tomar o controle" do setor de petróleo e gás da nação persa, e em meio a um aprofundamento da crise regional. "Considerando que as conversas com a República Islâmica do Irã foram vistas e aprovadas pelas mais altas autoridades iranianas, eu (...) cancelei os ataques e bombardeios planejados contra o Irã esta noite", escreveu Trump em sua rede social Truth Social. "As negociações e os pontos mais recentes foram, em princípio e em detalhe, aprovados por todas as partes envolvidas", continuou ele, mencionando os países do Golfo, a Turquia e Israel, entre outros. Mais cedo, ele havia publicado nas redes sociais que o alvo seria a Ilha de Kharg, um estratégico terminal para distribuição do combustível produzido por Teerã. "Os Estados Unidos atacarão o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, radares, defesas aéreas e todas as outras formas de defesa, juntamente com a maior parte de sua capacidade ofensiva, DESAPARECERAM!), COM MUITA FORÇA ESTA NOITE", escreveu Trump. "Em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está se mostrando ótimo tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos". Trump repetidamente afirmou que atacaria a ilha de Kharg durante a guerra, intensificando suas ameaças para tentar forçar o Irã a concordar com suas exigências de encerrar o programa nuclear. O Irã tem constantemente desafiado as ameaças do republicano, e não cedeu até o momento, mesmo quando meios militares abrigados na ilha estratégica foram atingidos. Pouco depois da primeira publicação, o presidente americano conversou por telefone com jornalistas da rede americana Fox News. Em um tom ligeiramente mais hesitante sobre a extensão esperada para os ataques contra o Irã, ele afirmou que o cenário atual era "uma loucura", pois Teerã já estaria derrotado, mas parecia "ainda não saber", e acrescentou que preferia não atacar infraestruturas civis, pois quando isso acontece "o povo sofre". — Minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg — disse o presidente. — Não sei se os EUA têm estômago para isso. Acho que eles [o público americano] gostariam de nos ver voltar para casa. Ilha Kharg: entenda relevância estratégica de polo petrolífero iraniano que foi alvo de bombardeio dos EUA no Golfo Pérsico — Foto: Agência Espacial Europeia via AFP O presidente do Parlamento do Irã e principal negociador de Teerã no diálogo indireto com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou nesta quinta-feira contra uma escalada americana. Em uma publicação nas redes sociais, a liderança afirmou que uma ação militar de Washington ameaçaria a infraestrutura energética e os mercados globais. "Estratégias equivocadas e decisões impulsivas irão piorar ainda mais a situação", escreveu Ghalibaf nas redes sociais. O regime iraniano já tinha se manifestado de forma combativa antes da nova ameaça, colocando em dúvida a continuidade do processo diplomático. O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um comunicado afirmando que o cessar-fogo vigente se tornava "praticamente irrelevante" considerando os últimos acontecimentos. Enquanto isso, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o Estreito de Ormuz — afirmou que o tráfego pela via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem. "Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região e ao anúncio feito na noite de ontem pelas Forças Armadas iranianas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem", anunciou a agência, que anteriormente havia aberto a possibilidade de tráfego de navios em coordenação com Teerã. Ataques trocados A trégua entre Washington e Teerã, que já havia sido desrespeitada em outros momentos, foi quebrada na terça-feira, quando a Casa Branca acusou militares iranianos de derrubarem um helicóptero Apache dos EUA perto da costa de Omã. Alegando autodefesa, o Pentágono disparou contra o território rival, com confirmação de danos a infraestruturas civis, incluindo centrais do sistema de abastecimento de água, o que afetou 200 mil pessoas. O Irã retaliou com ataques contra posições americanas em países do Golfo, que a liderança em Teerã já havia afirmado considerar alvos legítimos em meio às hostilidades. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atingido alvos na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein, onde autoridades locais disseram que uma criança de 11 anos morreu ao ser atingida por estilhaços de um projétil interceptado. O Centcom negou que instalações iranianas tivessem sofrido danos nos bombardeios. Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA em 11 de junho mostram nova onda de ataques contra o Irã — Foto: Divulgação/Comando Central dos EUA/AFP Fontes americanas ouvidas pelo New York Times afirmaram que os ataques lançados pelos EUA na quarta-feira e na quinta miraram radares, sistemas de defesa antiaérea e centros de controle de drones próximos ao Estreito de Ormuz, indicando uma tentativa de degradar a capacidade do país em detectar a movimentação de embarcações na rota marítima e atacá-las. Os ataques da quinta teriam sido mais extensos, em diferentes áreas do país. Ainda assim, analistas apontam que o presidente americano tem escolhas difíceis a fazer. A avaliação de observadores externos é de que os EUA estão com estoques perigosamente baixos de armas de longo alcance. Impasse diplomático Em um comunicado, o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou ter realizado um ataque contra o petroleiro Jalveer, de bandeira de Guiné-Bissau, acusando uma tentativa de cruzar o Golfo de Omã com petróleo iraniano. A confirmação veio pouco depois do Ministério das Relações Exteriores da Índia acusar os EUA de atacarem a embarcação, a terceira com tripulação indiana a ser alvejada nos últimos dias. Além do Jalveer, foram atingidos os cargueiros Marivex e Settebello — este último, onde três tripulantes foram mortos. Exército dos EUA divulga imagem de ataque contra petroleiro Settebello, que deixou três marinheiros da Índia mortos — Foto: Centcom Délhi convocou o vice-chefe da missão da Embaixada dos EUA na capital indiana para apresentar um "forte protesto" pelo ataque que vitimou os trabalhadores. A Marinha Mercante indiana descreveu as mortes dos nacionais indianos como uma "perda irreparável". O Departamento de Estado dos EUA afirmou que estava em contato direto com o governo da Índia a respeito deste assunto. Atores internacionais pediram contenção. A China revelou "sérias preocupações" com a recente escalada, enquanto Rússia e Turquia pediram para que os dois países retomassem os esforços de paz. No mesmo sentido, a Arábia Saudita pediu uma desescalada e a volta do diálogo intermediado por Catar e Paquistão. Um porta-voz da diplomacia paquistanesa, no entanto, deu uma declaração afirmando ser "difícil permanecer otimista" diante das agressões renovadas. Risco para os EUA Ao contrário do controle sobre o petróleo da Venezuela, citado por Trump, a influência americana sobre o país sul-americano não foi alcançado diretamente e apenas por força militar. Apesar da operação em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro do poder, Washington encontrou na vice-presidente Delcy Rodríguez uma voz "dialoguista" dentro do chavismo, que aceitou condições impostas por Washington para se manter no poder. No caso de uma tomada da ilha de Kharg, haveria um risco elevado de baixas americanas, segundo observadores americanos. A maioria dos conselheiros de Trump se opõe a uma operação terrestre em grande escala para tentar derrubar o governo iraniano. O fato do presidente ter antecipado sobre ataques na noite desta quinta também contrariam a postura de comandantes militares dos EUA, que não falam sobre operações costumeiramente. Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, porém, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth — um crítico contumaz de jornalistas que perguntaram sobre planos futuros em outras ocasiões — defendeu o presidente, sugerindo que seria uma tática de pressionar negociações. — O presidente Trump é um negociador, o melhor do mundo — disse Hegseth. — Ele está preparado para fechar esse acordo. O Irã faria bem em aceitá-lo. Caso contrário, teria que lidar com os tipos de planos que acabei de ter a oportunidade de ver dentro do Comando Central. Com AFP e NYT.
Trump cancela ataques contra o Irã e menciona possível acordo em andamento
Declaração ocorre após ameaças sobre tomar Ilha de Kharg durante a noite desta quinta-feira e controlar setor petrolífero iraniano













