A seleção da Tchéquia, que joga nesta quinta-feira (11) contra a Coreia do Sul na Copa do Mundo em 2026, passou 20 anos sem participar do torneio mundial de futebol. Faz tanto tempo que, na última Copa em que participou, em 2006 (que aconteceu na Alemanha), o país era chamado oficialmente de República Tcheca. O código Fifa, a sigla que aparece no placar, continua o mesmo: CZE (abreviação do inglês Czech Republic). A mudança de nome é oficial, mesmo que ambas nomenclaturas ainda sigam válidas. Isso porque, em 2016, o governo tcheco, seguindo uma tendência global, emitiu uma nota recomendando o uso do nome curto, Tchéquia, em contextos mais gerais: na mídia, em mapas e no esporte. Na esfera pública, como em documentos oficiais, na Constituição e em passaportes, continua sendo o nome completo: República Tcheca. Por lá, o pedido do governo parece não ter causado grandes mudanças no dia a dia, pelo menos, não na opinião do tcheco Ivan Zábojník, de 52 anos. Ele, que viveu em sua terra natal até 2016 e agora mora em Angra dos Reis (RJ), diz que os habitantes já usavam ambos os nomes muito antes do pedido oficial. "A diferença é muito pequena em nosso idioma nativo. É quase a mesma palavra e pronúncia", explica. Em tcheco, o país se chama Česko ou Česká republika. A única adaptação, Ivan conta, foi ter que aprender uma nova tradução para o nome de seu país. Antiga Tchecoslováquia Essa não é a primeira vez que uma mudança de nome acontece no país europeu. Antes, pode-se dizer que foi Tchecoslováquia até ser dissolvida no fim de 1992. Ela foi fundada após o colapso do Império Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial, em 1918, com a união dos povos tcheco (contra os austríacos) e eslovaco (contra a hungarização). A então Tchecoslováquia foi dividida em dois países, no que ficou conhecido o "Divórcio de Veludo": de um lado, a República Tcheca (no "coração da Europa") e, do outro, a República Eslovaca. A primeira herdou não apenas a história, como também o assento na Organização das Nações Unidas (ONU), a bandeira (com poucas alterações) e todas as embaixadas da Tchecoslováquia. A Tchéquia e o Brasil No Brasil, a comunidade tcheca é de cerca de 500 mil pessoas, dentre imigrantes e seus descendentes, apontam estimativas da Embaixada da República Tcheca no Brasil. Essas pessoas estão espalhadas pelo país, mas há comunidades mais fortes identificadas em cidades do Rio Grande do Sul, do Paraná, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Pelo menos quatro cidades brasileiras têm suas histórias intimamente ligadas à Tchéquia: Batatuba (SP), Mariápolis (SP), Bataguassu (MS) e Batayporã (MS). Todas elas foram fundadas por Jan Antonín Baťa, um empresário tcheco que assentou mais de 100 mil pessoas em 300 mil hectares de terra de sua propriedade para expandir seu negócio no ramo dos calçados. Perseguido pelos nazistas, o tcheco conseguiu exílio no Brasil assinado por Getúlio Vargas e ficou conhecido por aqui como o "Rei dos Calçados", da marca Bata. Atualmente, Pavel Šára, cônsul da Embaixada da República Tcheca no Brasil, explica que a relação entre os dois países é mais forte nos setores de defesa e indústria, já que a empresa tcheca Aero Vodochody é uma das parceiras estratégicas da Embraer para o fornecimento de fuselagem das aeronaves, principalmente. Um acordo de cooperação militar assinado em 2024 envolveu a compra de duas aeronaves de transporte Embraer C-390 Millennium pelo Ministério da Defesa da República Tcheca. A Tchéquia na Copa do Mundo 2026 A Tchéquia está no Grupo A. Os jogos da fase de grupos são: Coreia do Sul x Tchéquia, em 11 de junhoTchéquia x África do Sul, em 18 de junhoTchéquia x México, em 24 de junho Neste ano, pela primeira vez a Copa do Mundo terá 48 seleções, contra 32 das edições anteriores. A Tchéquia garantiu sua vaga na repescagem da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), em jogo decidido nos pênaltis contra a Dinamarca. O retorno acontece após uma ausência de duas décadas. Em 2006, na primeira participação como uma nação independente, foi eliminada ainda na fase de grupos. Se contarmos a história herdada da Tchecoslováquia, a seleção foi vice-campeã nas copas de 1934 (perdeu para a Itália) e em 1962 (para o Brasil). Šára, da Embaixada, diz que sente que os tchecos tiveram seu otimismo renovado após as "vitórias dramáticas" da seleção até a conquista da vaga na fase de grupos da Copa do Mundo. "Os torcedores estão muito animados, mas com uma expectativa bem realista", admite. "Ninguém espera realmente que a Tchéquia vá ganhar a Copa, mas só o fato de participar já gera muita expectativa de avançar [da fase de grupos]", diz. Ele diz, também, que é um momento importante para os tchecos mais novos. "Estarmos visíveis novamente neste palco internacional é uma novidade para eles que têm 20, 25 anos. Eles nunca puderam ver a seleção na Copa. Isso é algo que inspira a próxima geração de jogadores", diz.