A seleção de futebol da Coreia do Sul, que joga nesta quinta-feira (11) contra a Tchéquia pela Copa do Mundo 2026, chama atenção ao entrar em campo com um uniforme vermelho. A cor forte está presente na bandeira do país, mas o seu significado cultural para os coreanos é ambíguo. Se por um lado, o vermelho representa o orgulho pelo seu time de futebol, por outro, ele está associado a superstições antigas que podem trazer o mau agouro. O vermelho aparece na bandeira da Coreia do Sul como uma representação das “forças positivas do cosmo”, segundo descrição no Centro Cultural Coreano no Brasil. Junto com o azul, que representa as “forças negativas”, as duas cores formam uma representação do Yin-Yang e representam a estabilidade do universo. No esporte, o vermelho também está presente tanto camiseta da seleção de futebol sul-coreana quanto na sua torcida, que é conhecida como “Red Devils”, ou “Diabos Vermelhos” em tradução literal. Segundo a Enciclopédia do Folclore Coreano, a origem desse nome está ligada ao Campeonato Mundial Juvenil da Fifa de 1983, no México. Na ocasião, a seleção sul-coreana chegou às semifinais pela primeira vez em sua história e parte da imprensa internacional passou a se referir aos jogadores, que utilizavam uniformes vermelhos, como “Red Devils” ou “Red Furies” (“Fúrias vermelhas”, em tradução livre). Infelizmente, o time sul-coreano terminou o campeonato de 1983 em 4º lugar, pois perdeu a semi-final para a seleção do Brasil por 2 a 1. Eventualmente, a expressão "Red Devils" foi adotada pelos torcedores e deu origem ao nome da torcida organizada, que passou a atuar oficialmente a partir das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998. Símbolo da morte Por outro lado, a cor vermelha também carrega uma superstição negativa na Coreia do Sul, o que faz com que muitos evitem escrever o nome de uma pessoa com essa cor para se esquivar a morte. Segundo o Museu Nacional do Folclore da Coreia, existem algumas teorias sobre a origem dessa crença. Uma delas remonta à China antiga, quando o imperador Qin Shi Huang (259–210 a.C.) considerava o vermelho uma cor reservada à autoridade imperial e teria proibido que outras pessoas escrevessem nomes nessa cor. Caso a regra fosse descumprida, a pessoa poderia ser punida severamente. Eventualmente, escrever o nome de alguém em vermelho se tronou um tabu, que teria chegado à Península Coreana devido às fortes relações culturais entre China e Coreia ao longo da história. Outra teoria, segundo o Museu Nacional do Folclore da Coreia, estaria ligada às antigas tradições ligadas para o uso da tinta vermelha para registrar nomes de falecidos ou para corrigir erros em documentos. Por essa razão, escrever o nome de uma pessoa viva em vermelho passou a ser interpretado como um sinal de mau agouro ou uma associação simbólica à morte.
Por que o vermelho na Coreia do Sul é cor de orgulho no futebol — e de morte no papel
Se por um lado a cor representa as “forças positivas” universo, ela também pode ser um sinal de mau agouro quando escrita











