O médico palestiniano Hussam Abu Safiya apareceu numa chamada de vídeo numa sessão do Supremo de Israel, as primeiras imagens desde Fevereiro de 2025 – e que levaram a renovados pedidos para a sua libertação.Numa captura de ecrã da sua breve aparição na quarta-feira, Abu Safiya, de 53 anos, foi mostrado algemado e vestido com roupa prisional branca. O seu rosto estava pálido e emagrecido, e tinha marcas em ambos os braços. Vários vídeos que circulam nas redes sociais, gravados durante a audiência, mostravam responsáveis israelitas a desligarem rapidamente a transmissão de vídeo enquanto as pessoas se acotovelavam para conseguir ver o médico.No vídeo ouvia-se o seu advogado, Nasser Odeh, dizer a Abu Safiya que as pessoas presentes não o conseguiam ver, explicando que os guardas desligaram o monitor e que estavam à espera da entrada do juiz para decidir se a sua imagem voltaria ou não a ser exibida no ecrã.A parte inicial da sessão foi aberta a jornalistas e ao público em geral, mas todos tiveram de sair quando a sessão começou, na qual seria analisado um recurso de Odeh desafiando a legalidade da detenção.O advogado do médico já tinha dito que Abu Safiya tinha perdido mais de 30 quilos na prisão e que lhe estava a ser negado tratamento médico. Os serviços prisionais de Israel dizem que está a ser tratado adequadamente.Até à tarde de quinta-feira, o tribunal ainda não tinha divulgado uma decisão sobre a extensão da detenção do médico, disse Naji Abbas, director para presos e detidos da organização não-governamental Médicos pelos Direitos Humanos de Israel (PHRI), citado pelo Washington Post.Hussam Abu Safiya, que foi director do Hospital Kamal Adwan, no Norte da Faixa de Gaza, durante quase todo o ano de 2024, tornou-se um dos rostos dos profissionais de saúde que lutavam para tratar pacientes durante a guerra de destruição sistemática de Israel contra o território, na qual os hospitais foram sujeitos a cerco e atacados.Enquanto o hospital Kamal Adwan esteve cercado, durante 85 dias, Abu Safiya apareceu em vários vídeos mostrando a situação e pedindo ajuda. No final do cerco, ficou icónica a sua imagem de costas, de bata branca, dirigindo-se a um carro de combate de Israel no meio de montanhas de escombros cinzentos.Várias organizações como as Nações Unidas, a Organização Mundial da Saúde, o Comité Internacional da Cruz Vermelha ou a Amnistia Internacional têm apelado à libertação imediata de Abu Safiya, que está em isolamento e que se suspeita que esteja a ser torturado.Segundo a organização PHRI, 14 médicos de Gaza continuam detidos em prisões israelitas. Muitos foram mortos em ataques de Israel, que também atingiram paramédicos.Israel, que começou por negar ter detido Abu Safiya, admitiu depois que estava sob custódia das suas forças, dizendo que era comandante do Hamas, sem apresentar provas nem fazer uma acusação formal.
Israel: médico Abu Safiya aparece – e logo desaparece – em vídeo em sessão de tribunal
Director do hospital Kamal Adwan protagonizou imagem icónica ao dirigir-se para um carro de combate no meio dos escombros de Gaza em Dezembro de 2024. Está preso desde então.












