Segundo especialistas, é um pequeno passo rumo a um futuro no qual a tecnologia assuma cada vez mais tarefas manuais realizadas por seres humanos. Mas desempenho ainda é limitado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 robô da X Square carregando uma garrafa até uma lixeira enquanto uma faxineira limpa o chão na casa de um cliente em Pequim — Foto: Wang Zhao/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 12:10 Robôs de Limpeza com IA Avançam na China, Enfrentando Desafios Robôs de limpeza movidos por inteligência artificial estão começando a atuar em lares chineses, marcando um passo em direção a um futuro onde a tecnologia pode assumir tarefas manuais. Ainda longe de atingir a destreza humana, esses robôs, como o Quanta X1 Pro, são utilizados principalmente para coleta de dados. O serviço é oferecido em Pequim e Shenzhen, mas enfrenta desafios regulatórios e de privacidade antes de uma adoção mais ampla. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para Lin Meiqiong, faxineira de apartamentos em Pequim, as coisas ficaram um pouco mais fáceis no dia em que recebeu um colega de trabalho inesperado: um robô sobre rodas movido por inteligência artificial. A mulher de 56 anos e seu companheiro branco e prateado, equipado com câmeras e duas garras mecânicas, fazem parte de uma nova equipe de limpeza híbrida — formada por humanos e robôs — oferecida pela plataforma chinesa de serviços domésticos 58.com. É um pequeno passo rumo a um futuro no qual os robôs assumem cada vez mais tarefas manuais realizadas por seres humanos. Mas os equipamentos ainda estão longe de poderem ser comparados com a Rose, nome do robô-governanta dos Jetsons, família tema da série de animação de Hanna-Barbera. Por enquanto, porém, esses serviços são principalmente uma forma de coleta de dados para as empresas e uma novidade para clientes curiosos. — Definitivamente, é diferente — disse Lin enquanto limpava uma cozinha. — Antes eu fazia tudo sozinha. Isso reduziu um pouco a carga de trabalho — contou. O serviço de limpeza, uma parceria entre a 58.com e a empresa chinesa de robótica X Square, custa 149 yuans (cerca de US$ 22 ou R$ 114) por três horas e está disponível em Pequim e em Shenzhen, o polo tecnológico do sul da China. O robô de IA Quanta X1 Pro entra no apartamento acompanhado por um engenheiro da X Square e utiliza suas câmeras para identificar as áreas que precisam de limpeza. Lin cuida do chão enquanto o robô recolhe o lixo e dobra as roupas que ela estende sobre um sofá. Dobrar as roupas leva vários minutos, e o robô se parece com uma criança aprendendo a dobrar peças de vestuário pela primeira vez. Uma das tarefas do robô é dobrar roupas, o que leva vários minutos, pois se parece com uma criança aprendendo a dobrar peças de vestuário pela primeira vez — Foto: Wang Zhao / AFP Segundo o engenheiro Hu Bowen, as futuras versões do robô responderão a comandos de voz e poderão até mesmo manter conversas. Melhor do que um laboratório Cerca de 200 lares contrataram o serviço desde seu lançamento, em março. Tan Pei, que trabalha com publicidade, contratou o robô para limpar seu apartamento em Pequim e afirma que o fez porque tinha interesse em “ver do que ele era capaz”. — Embora não seja tão perfeito, houve coisas que me surpreenderam — comentou, destacando que o robô dobrou uma calça “muito bem”. Os robôs chineses têm impressionado com seus movimentos fluidos em apresentações de dança e artes marciais, mas seu desempenho em situações da vida real ainda é limitado. Para empresas como a X Square, a lógica por trás do lançamento de um serviço ainda imperfeito é coletar dados para a chamada inteligência artificial incorporada (embodied AI). Diferentemente dos grandes modelos de linguagem, treinados com enormes quantidades de conteúdo da internet, os robôs ainda não dispõem de conjuntos comparáveis de dados do mundo real. — Ainda não temos uma internet para robôs — explicou Christoforos Mavrogiannis, da Universidade de Michigan. —É muito mais informativo colocar o robô em campo e estudar o que acontece do que deixá-lo para sempre no laboratório — acrescentou. robô de IA Quanta X1 Pro entra no apartamento acompanhado por um engenheiro da X Square e utiliza suas câmeras para identificar as áreas que precisam de limpeza. — Foto: Wang Zhao/AFP Hu, o engenheiro da X Square, afirmou que envia seus robôs para trabalhar em um “ambiente completamente desconhecido”. — Isso é muito desafiador, mas esses dados desconhecidos ajudam muito no desenvolvimento do robô. Com o aumento dos investimentos em inteligência artificial incorporada (embodied AI), a China vem realizando testes semelhantes com robôs que controlam o trânsito em cidades como Hangzhou. A empresa GigaAI planeja enviar ainda este ano 100 robôs para residências na cidade de Wuhan para realizar testes gratuitos de limpeza. Segundo a base de dados empresarial ITjuzi, investidores destinaram neste ano mais de 57 bilhões de yuans (US$ 8,5 bilhões) à indústria chinesa de inteligência artificial incorporada, valor superior ao total investido em todo o ano passado. Uma fase ainda muito elementar Mas ainda persistem muitos obstáculos para que esses robôs se popularizem em larga escala. Como demonstrou o Quanta X1 Pro ao dobrar roupas, os robôs ainda não conseguem igualar a destreza humana. — Muitas empresas estão trabalhando para construir mãos robóticas e dar autonomia a elas, mas ainda não chegaram lá — afirmou Christoforos Mavrogiannis, da Universidade de Michigan. Robô recolhe lixo do chão de uma casa: Os robôs chineses impressionaram o público com danças fluidas e demonstrações de artes marciais no palco, mas sua aplicação e desempenho em situações da vida real ainda são limitados — Foto: Wang Zhao/AFP Além disso, há muitas questões regulatórias que ainda precisam ser resolvidas. A privacidade será um tema importante, já que os robôs terão acesso a uma grande quantidade de informações pessoais. — Não sabemos para onde irão os dados, onde serão armazenados (...) nem quem terá acesso a essas informações — observa Valeria Alessandra Macalupu Chira, da Universidade de Tecnologia de Queensland. A segurança dos clientes e de suas residências é outra questão ainda sem solução. — Acredito que ainda estamos em uma fase muito elementar — afirmou Yang Jianfei, da Universidade Tecnológica Nanyang, em Cingapura. Segundo ele, os robôs atualmente ainda exigem supervisão humana para acionar funções de frenagem de emergência, e ainda não existem padrões de segurança reconhecidos por todo o setor. Os especialistas concordam que uma adoção mais ampla desses robôs ainda está distante. Questionada se acredita que os robôs vão revolucionar sua profissão, a faxineira Lin não pareceu muito preocupada. — Comparado a uma pessoa, é óbvio que ele não está no mesmo nível. Afinal de contas, é um robô — observou.
Rose, dos Jetsons, já é real? Robôs de limpeza movidos por IA começam a trabalhar em lares chineses
Segundo especialistas, é um pequeno passo rumo a um futuro no qual a tecnologia assuma cada vez mais tarefas manuais realizadas por seres humanos. Mas desempenho ainda é limitado
Robô X Square de limpeza com IA opera em 200 lares chineses via 58.com, 149 yuan (~US$ 22) por 3h, desde março em Pequim e Shenzhen. Objetivo real: coletar dados para embodied AI; China destina US$ 8,5 bi em 2026 a IA incorporada, mas robôs carecem ainda de destreza humana em tarefas reais.












