Androides de US$ 12 mil são vendidos como 'companheiros emocionais' equipados com inteligência artificial e disponíveis 24 horas por dia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com pele de silicone e aparência humana, robô pode ser personalizado para se parecer com um ente querido, uma celebridade ou um personagem fictício — Foto: Adel Berry/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 10:17 UBTech lança robô humanoide U1 para combater a solidão na China A empresa chinesa UBTech lançou o U1, um robô humanoide hiper-realista destinado a combater a solidão. Vendido por US$ 12 mil, o androide serve como "companheiro emocional", oferecendo conforto e monitoramento de saúde. Apesar de críticas sobre dependência emocional, a UBTech assegura a proteção dos dados dos usuários. O mercado chinês de robôs humanoides deve atingir US$ 2 bilhões em 2023. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Será que um robô será seu próximo confidente? A empresa chinesa UBTech apresentou novos androides de aparência hiper-realista, com pele macia e voz suave, projetados para combater a solidão. A empresa oferece "companheiros emocionais" a partir de 119.800 yuans (cerca de US$ 12 mil ou R$ 62 mil), equipados com inteligência artificial e capazes de ficar sentados na sala de casa, ouvindo os problemas dos usuários 24 horas por dia. O chamado U1 é, segundo a empresa, "o primeiro robô humanoide em tamanho real do mundo com aparência ultrarrealista". Mulher toca a mão de um robô humanoide U1: unhas perfeitas em detalhes hiper-realistas — Foto: Adek Berry/AFP A apresentação, realizada em Shenzhen, no sul da China, foi um evento espetacular, em um ambiente de ficção científica e com a participação do famoso DJ norueguês Alan Walker. O humanoide promete "amor eterno", explicou Michael Tam, diretor-geral da UWorld, marca da UBTech responsável por seu desenvolvimento. O robô é voltado principalmente para pessoas solteiras (120 milhões na China) e para maiores de 60 anos (320 milhões), dois grupos que, segundo Tam, têm "uma grande necessidade de companhia e de conforto emocional". Quem é o robô? Uma mulher (à direita) interage com a androiide (à esquerda) no lançamento do U1 — Foto: Adek Berry/AFP Horário do remédio Com autonomia de até quatro horas, o U1 oferece palavras de conforto quando detecta cansaço ou estresse e, com o tempo, aprimora seu conhecimento sobre o usuário. Ele também pode identificar problemas de saúde, lembrar o horário de tomar medicamentos e dar orientações sobre o vestuário. Um idoso (ao centro) participa de uma demonstração com robôs humanoides U1. De acordo com a empresa, robô é voltado principalmente para pessoas solteiras e para maiores de 60 anos, dois grupos que têm "uma grande necessidade de companhia e de conforto emocional" — Foto: Adek Berry/AFP Versões para todos os gostos O robô consegue mover a cabeça, os olhos e a boca, mas não limpa, não cozinha nem passa roupa. Suas capacidades também não se estendem ao quarto. Segundo a UBTech, ele não foi projetado, "por enquanto", para oferecer relações íntimas. Há versões feminina (1,68 metro) e masculina (1,83 metro), com diversos estilos, incluindo vestidos sensuais, macacão branco ou um olhar sedutor. O robô também pode ser personalizado para se parecer com um ente querido, uma celebridade ou um personagem fictício. A empresa chinesa UBTech revelou androides inéditos e hiper-realistas, com aparência humana e equipados com inteligência artificial (IA), apresentados como soluções para combater a solidão — Foto: Adek Berry/AFP Os preços começam em 119.800 yuans e podem chegar a 990.000 yuans (cerca de US$ 145 mil ou R$ 750,5 mil) para o modelo mais sofisticado. Dependência emocional Esse tipo de produto tem sido alvo de críticas por incentivar a dependência emocional e pelos riscos à privacidade. Ainda assim, a UBTech afirma que os dados dos usuários são criptografados e garante que eles não serão utilizados para treinar modelos de inteligência artificial. Na China, os robôs estão presentes em toda parte, tanto nas fábricas quanto nos espaços públicos, e desfrutam de ampla aceitação social, em contraste com o ceticismo observado no Ocidente. O país lidera o desenvolvimento de robôs humanoides e, em 2025, respondia por 85% das unidades instaladas no mundo, segundo o banco Barclays. O modelo masculino tem 1,83 metro e o feminino, 1,68 metros. Características 'físicas' podem ser personalizadas — Foto: Adek Berry/AFP No ano passado, mais de 140 empresas chinesas lançaram mais de 330 modelos de robôs humanoides, de acordo com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação. A robótica é uma das prioridades do governo chinês, que a classificou como uma indústria estratégica em seu plano quinquenal para o período de 2026 a 2030. Segundo um estudo do Morgan Stanley, o mercado chinês de robôs humanoides poderá atingir US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) neste ano e chegar a US$ 15 bilhões (R$ 77,6 bilhões) em 2030. O CEO da UWORLD, Michael Tam, profere seu discurso durante o lançamento do robô humanoide U1, produzido pela empresa, uma uma marca da UBTECH Robotics — Foto: Adek Berry/AFP Fundada em 2012, a UBTech também desenvolve robôs para a indústria. Com o U1, a empresa pretende conquistar espaço no mercado de humanoides voltados ao consumidor final, um segmento que, até agora, tem se mostrado pouco lucrativo.