Sheinbaum cede ingresso, Carney vai à Europa para o G7 e Trump não tem planos, neste momento, de comparecer à estreia da seleção americana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Claudia Sheinbaum, presidente do México — Foto: CARL DE SOUZA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 11:39 Chefes de Estado Ausentes na Estreia da Copa do Mundo; Debate Social em Foco Nenhum chefe de Estado dos países anfitriões comparecerá à estreia na Copa do Mundo. Claudia Sheinbaum, presidente do México, cedeu seu ingresso a Yolett Cervantes, jovem indígena, em ato simbólico para empoderar mulheres no esporte. As ausências de Sheinbaum, Carney e Trump refletem questões políticas e críticas aos altos custos dos ingressos. A decisão destaca debates sociais durante o evento. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando os torcedores sintonizarem no jogo de abertura da Copa do Mundo da FIFA na quinta-feira entre o país anfitrião, o México, e a África do Sul, eles poderão notar a ausência de uma figura central nas arquibancadas: a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Quem ocupará seu lugar na seção VIP do Estádio Banorte, o local na Cidade do México que sediará a partida, será Yolett Cervantes Cuaquehua, uma jovem indígena que venceu um concurso nacional realizado pelo governo mexicano para ganhar o ingresso de Sheinbaum. “Não vou a jogo nenhum — nem na abertura, nem em qualquer outra partida”, disse Sheinbaum a jornalistas no mês passado, acrescentando que, em vez disso, assistiria ao primeiro jogo ao lado de milhares de seus apoiadores no Zócalo, a praça principal da Cidade do México, a capital. Esta semana, no entanto, ela afirmou que pode mudar os planos caso ocorram protestos na região. Ainda assim, a decisão carrega um significado simbólico, já que os líderes das nações anfitriãs costumam presidir a partida de abertura de seus países. Afinal, a Copa do Mundo, o evento esportivo mais assistido do planeta, tem servido como uma plataforma influente e um instrumento de "soft power" para líderes afirmarem sua presença global e melhorarem sua reputação. Mas Sheinbaum declarou que sua ausência é uma demonstração de solidariedade com os muitos mexicanos comuns que não tiveram condições financeiras de comprar um ingresso para o evento — que tem recebido críticas por seus preços excessivamente altos e restrições de acesso. Ela também contextualizou o ato de dar o ingresso a Cervantes como uma forma de empoderar as jovens em um esporte que continua sendo fortemente dominado por homens. “Por muitos anos, as portas estiveram fechadas para nós — impedindo-nos de nos tornarmos árbitras, jogadoras de futebol, comentaristas ou apresentadoras de esportes”, disse Sheinbaum em uma entrevista coletiva este ano. “Hoje, queremos abrir essas portas para as mulheres e seus direitos, para que elas possam ser o que quiserem e tenham todas as oportunidades para conseguir isso.” Cervantes, uma atleta Nahua das terras altas e cobertas de névoa do estado de Veracruz, no leste do México, superou outras 1.000 jovens finalistas de todo o país ao enviar um vídeo que viralizou, no qual ela fazia embaixadinhas com uma bola de futebol usando os pés e o corpo enquanto estava descalça e vestindo seu traje indígena tradicional. Em entrevista, Cervantes, de 21 anos, disse que nunca teve um treinador formal, mas se apaixonou pelo futebol quando criança, após assistir a uma partida entre Real Madrid e Juventus na Espanha — uma viagem que ganhou como prêmio ao vencer um concurso de oratória em seu estado. “Este é um momento histórico na minha vida”, disse ela, acrescentando que descobriu que havia ganhado o ingresso para a Copa do Mundo enquanto trabalhava na lavoura com sua mãe. “Não acho que nenhum outro presidente tenha abrido mão de seu ingresso para que um jovem fosse representá-lo.” Até o momento, Sheinbaum foi a única líder dos países anfitriões deste ano a confirmar que não comparecerá a nenhum jogo da Copa do Mundo. Mas seus homólogos no Canadá e nos Estados Unidos provavelmente também deixarão de ir aos jogos de abertura em seus respectivos países. O primeiro-ministro Mark Carney, do Canadá, viaja para a Europa na quinta-feira para reuniões diplomáticas e para o encontro anual do Grupo dos 7 — apenas um dia antes de seu país jogar contra a Bósnia e Herzegovina em Toronto. E o presidente Donald Trump, apesar dos anos de cortejo pessoal por parte do presidente da FIFA, Gianni Infantino, criticou o alto custo dos ingressos. “Eu certamente gostaria de estar lá, mas eu também não pagaria por isso, para ser honesto com você”, disse Trump ao The New York Post em uma entrevista por telefone no mês passado, apesar de Infantino ter lhe presenteado com um ingresso cerimonial durante o sorteio da Copa do Mundo. Ainda não está claro se Carney e Trump planejam comparecer a outros jogos durante o torneio de seis semanas. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário. No entanto, a decisão de Sheinbaum de não comparecer também pode decorrer de uma manobra política calculada, dizem analistas, em um momento no qual seu governo enfrenta uma convergência de crises internas. Ela e seu partido governista, o Morena, têm sido alvo de críticas por protegerem autoridades mexicanas acusadas por promotores dos EUA de conluio com os cartéis. Professores em protesto paralisaram partes do país, exigindo salários mais altos e mudanças nas pensões. Outros grupos — juízes federais, ativistas anticorrupção e um movimento contra a Copa do Mundo — também planejam realizar protestos do lado fora dos estádios durante a Copa do Mundo para manifestar suas frustrações. “É uma forma muito boa de dizer: 'Se os olhos do mundo estão voltados para nós, queremos que as coisas que realmente importam venham à tona'”, disse Mónica de la Vega, antropóloga esportiva no estado de San Luis Potosí, sobre os manifestantes que planejam aproveitar o momento. Ao abrir mão de seu assento, Sheinbaum pode evitar um momento desconfortável. Os estádios mexicanos, mostra a história, são territórios notoriamente hostis para presidentes em exercício. “Neste caso específico, os torcedores mexicanos farão parte de uma elite econômica que, em grande parte, desaprova o governo de Claudia Sheinbaum”, disse Sergio Varela, sociólogo esportivo radicado na Cidade do México. “Não tenho dúvidas de que, se ela for, será vaiada.”
Nenhum chefe de governo dos três anfitriões deve estar nas estreias de seus países na Copa
Sheinbaum cede ingresso, Carney vai à Europa para o G7 e Trump não tem planos, neste momento, de comparecer à estreia da seleção americana
















