Apesar de anos de campanhas, multas e punições da Fifa, grito direcionado a goleiros segue presente nos estádios e divide o país anfitrião 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jogadores do México comemoram um dos gols marcados no amistoso contra a Sérvia — Foto: MARIO VAZQUEZ/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 06:56 Desafios do México em Combater Cânticos Homofóbicos nos Estádios Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o México enfrenta a persistência do cântico homofóbico "el grito" nos estádios. Apesar de campanhas e punições da FIFA, a prática continua, gerando debates sobre discriminação e cultura popular. Enquanto alguns veem o cântico como provocação esportiva, órgãos e especialistas destacam seu histórico de homofobia, alertando para um ambiente discriminatório. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO À medida que a Copa do Mundo de 2026 começa em solo mexicano, uma antiga controvérsia volta a rondar os estádios do país. Trata-se do chamado el grito, um cântico utilizado por parte da torcida mexicana durante tiros de meta adversários e que, há mais de uma década, provoca debates sobre discriminação, cultura popular e homofobia no futebol. De acordo com o The AThletic, o ritual é conhecido: enquanto o goleiro se prepara para cobrar o tiro de meta, torcedores prolongam um "Eeeeh..." antes de gritar "puto" no momento do chute. A palavra, usada historicamente como insulto homofóbico em países de língua espanhola, tornou-se uma das maiores dores de cabeça da Federação Mexicana de Futebol. Desde 2015, a FIFA aplica sanções recorrentes ao México por causa do comportamento de seus torcedores. As punições incluem multas financeiras, advertências e até interrupções temporárias de partidas. Somadas, as penalidades já ultrapassaram a marca de um milhão de dólares ao longo da última década. O tema voltou a ganhar destaque recentemente durante a repescagem intercontinental para a Copa do Mundo, disputada em Guadalajara. Antes de uma partida entre a República Democrática do Congo e a Jamaica, torcedores mexicanos foram vistos ensinando o cântico a visitantes africanos em frente ao estádio, episódio que reacendeu o debate sobre a permanência da prática. A resistência em abandonar o grito está diretamente ligada à forma como parte dos mexicanos interpreta a palavra. Defensores da prática argumentam que o termo é utilizado no contexto do futebol para provocar o adversário ou questionar sua coragem, sem intenção de ofender pessoas LGBTQ+. Esse entendimento é compartilhado por alguns ex-jogadores e dirigentes esportivos. Por outro lado, organizações de direitos humanos e entidades de combate à discriminação rejeitam essa interpretação. Para especialistas, o significado histórico da palavra não pode ser dissociado de seu uso atual. — É impossível separar o termo de sua trajetória como insulto homofóbico. Para muitas pessoas LGBTQ+, ouvir essa palavra em um estádio remete a décadas de discriminação, exclusão e violência — afirma Edu Balmori. A posição é respaldada pela CONAPRED, órgão governamental que classifica oficialmente o termo como expressão homofóbica. A ex-jogadora da seleção mexicana feminina Janelly Farías também critica a justificativa frequentemente utilizada pelos torcedores. — Muitas pessoas dizem que não têm intenção de ser homofóbicas. Mas isso não muda o efeito que o cântico produz. Ele continua contribuindo para um ambiente discriminatório — argumenta. A questão acompanha o futebol mexicano há cerca de duas décadas, mas ganhou repercussão global durante a Copa do Mundo de 2014. Desde então, a FIFA passou a monitorar mais rigorosamente os jogos da seleção mexicana. Campanhas educativas, anúncios nos telões, mensagens de jogadores e ações de conscientização tentaram reduzir a incidência do grito. Em determinados períodos, os resultados pareceram positivos. Ainda assim, o comportamento reapareceu repetidamente em competições internacionais, incluindo a Copa Ouro, a Liga das Nações da Concacaf e os Mundiais de 2018 e 2022. Agora, com o México novamente no centro das atenções como um dos anfitriões da Copa de 2026, existe o temor de que o tema volte a ganhar manchetes globais.