PUBLICIDADE Solução enfrenta divergências. Na Califórnia, executivos admitem conversas com autoridades brasileiras, mas dizem que há muito trabalho a ser feito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Para chegar ao iPhone, Pix por aproximação ainda precisa de 'muito trabalho' a ser feito — Foto: Júlia Aguiar/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 22:17 Obstáculos regulatórios atrasam Pix por aproximação no iPhone A implementação do Pix por aproximação no iPhone no Brasil enfrenta obstáculos regulatórios e ainda não tem data definida. A Apple resiste a abrir sua plataforma devido a divergências com o Cade sobre práticas anticompetitivas e o acesso ao chip NFC, essencial para as transações. A empresa defende seu direito de cobrar pelo licenciamento e expressa preocupações sobre segurança e privacidade dos dados dos usuários. A situação é agravada por questões políticas internacionais, com críticas dos EUA ao sistema Pix. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A implementação do Pix por aproximação no iPhone no Brasil não tem data para acontecer e ainda precisa superar divergências entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que estão arrastando uma investigação por práticas anticompetitivas que começou em abril de 2025. Na Califórnia, os executivos da companhia admitem conversas constantes com autoridades brasileiras, mas resistem a abrir sua plataforma para terceiros por considerar que questões regulatórias e técnicas ainda permanecem. Para essas fontes, ainda há “muito trabalho” a ser feito. Do ponto de vista regulatório, a Apple apresentou sua posição oficial ao Cade em fevereiro, quando defendeu o direito de cobrar de terceiros pelo licenciamento da tecnologia que permite a implementação do Pix por aproximação. No centro da disputa está o acesso ao chip de NFC (sigla em inglês para Comunicação por Campo de Proximidade), que permite a conclusão das operações. No Android, do Google, e em aparelhos da Samsung, os aplicativos têm acesso livre e gratuito ao chip de NFC. Já no iPhone, o uso do chip por terceiros, como bancos e fintechs, necessariamente passa pelo Apple Pay, a carteira digital da companhia, pelo chip de NFC e pelo chip SE Element — cada transação no Pix, que em 2025 movimentou R$ 35,36 trilhões, gera micropagamentos para a Apple. A dona do iPhone não quer abrir mão da cobrança e acusa rivais como, Nubank, Zetta, Mercado Pago, PicPay e PayPal, de tentar reduzir os próprios custos. Do ponto de vista tecnológico, a Apple questiona como a abertura do NFC poderia dar a terceiros os dados dos usuários, expressando receio de que informações sensíveis possam ser usadas para fins indesejados, como publicidade. Muitos dos executivos repetem que a abertura do iPhone poderia abrir novas vulnerabilidades para os usuários, especialmente quando isso acontece por meio de sistemas de pagamentos. Apple apresenta iOS 27, Siri turbinada com IA e outras novidades na WWDC 26 Para a empresa, o cenário brasileiro é marcado por uma "incerteza jurídica e complexidade regulatória" que oscila quase diariamente, tornando qualquer abertura do ecossistema um movimento temerário. A gigante, porém, avalia que o atual momento político internacional, que colocou o Pix novamente sob a mira de Donald Trump, não congelou as conversas com as autoridades brasileiras — “esse não é o nosso perfil”, disse um funcionário envolvido nas negociações. No documento que justificou o novo tarifaço contra o Brasil, o governo americano escreveu: "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix". O Banco Central é acusado pelos americanos de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". Ataque contra Europa O clima descontraído no Apple Park nesta semana, que reuniu desenvolvedores, clientes da Apple e jornalistas, mudava completamente quando o tema era regulação. Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing mundial, reuniu a imprensa para reclamar contra a Lei dos Mercados Digitais (DMA) da União Europeia, que regula o funcionamento das plataformas digitais na região. Por exigências de Bruxelas, os recursos da nova Siri AI não foram lançados na Europa, e não têm data para que isso aconteça. — É crítico levar a mensagem de que outros governos não devem seguir um modelo fracassado que vemos na Europa — disse ele. Para o executivo, Bruxelas tem uma visão “muito míope”, olhando para a competição em um vácuo e claramente não veem as preocupações dos usuários com privacidade e segurança como sendo problema deles. No caso da Siri AI, a Apple considera que daria acesso em um nível muito profundo do seu sistema operacional para terceiros. Pela visão do DMA, isso é um limitador para os usuários, pois restringe a possibilidade do iPhone de ter outros assistentes integrados ao telefone. Ou seja, seria abuso do poder da companhia. *O jornalista viajou a convite da Apple