A polícia da Bolívia voltou a entrar em confronto nesta quarta-feira (10) com manifestantes que chegaram nos arredores da Praça Murillo, onde está localizada a sede do governo do país, em La Paz. Os atos, que já duram cinco semanas, exigem a renúncia e aumentam a pressão sobre o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que avalia decretar estado de exceção e mobilizar as Forças Armadas para conter a crise.

Os manifestantes, formados principalmente por trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, ergueram barricadas com contêineres de lixo nas proximidades do palácio do governo. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto os ativistas atiravam pedras contra os agentes. Pelo menos cinco pessoas foram detidas durante os confrontos, segundo a imprensa local.

Vindos de diferentes regiões do país, milhares de manifestantes marcharam cerca de 15 km desde a cidade vizinha de El Alto até o centro da capital. Vestidos com ponchos, capacetes de mineração e carregando bandeiras indígenas, eles gritavam palavras de ordem pedindo a saída do presidente.

A mobilização reflete a insatisfação com as reformas propostas por Rodrigo Paz e com a falta de resultados para enfrentar a grave crise econômica no país. O presidente, eleito após duas décadas de governos socialistas liderados por Evo Morales e Luis Arce, lida com um cenário marcado pela escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além da disparada dos preços.